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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: A Minha Rua no Bairro de Campo de Ourique: A Minha Saída - Os Detalhes do Absurdo - Parte I

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Olá Berta,

Ainda não te contei como consegui chegar ao serviço de urgências do Hospital São Francisco Xavier. No meio de tanta coisa quase me esquecia de o fazer. Lá vai a história, com todos os detalhes do que se passou ou pelos menos os principais aspetos desta aventura. Depois de ligar o 112, que me passou para o INEM, fiquei a aguardar pela ambulância.

Neste dia, 3 de abril deste ano de 2020, estive 3 horas e 47 minutos à espera do transporte que me levaria ao hospital São Francisco Xavier. Fiquei tempo suficiente a aguardar para pensar algumas coisas. Estaria o trânsito tão caótico que a “tinóni” estava com dificuldades de chegar ao seu destino? Não! Isso significava que metade da população de Lisboa teria enlouquecido o que não me parecia muito provável. Quando as coisas são connosco achamo-nos sempre prioritários.

Teria a ambulância sofrido 2 ou mais furos nas rodas da carrinha, no caminho até à “Minha Rua no Bairro de Campo de Ourique”? Podia ser uma explicação, difícil de ocorrer, porém, não totalmente impossível. Afinal, dizem as probabilidades que, enquanto existirem, podem acontecer, mesmo sendo muito pequenas. Contudo, se fosse esse o caso, não mandariam uma outra viatura? Claro que mandariam. Eu é que estava a ficar tolo de todo e talvez demasiado enervado com a situação.

Poderia a minha alergia a hospitais ter uma energia tal que estava a enganar o GPS do meu transporte mandando-o para Marvila? Ou pior ainda, para a marginal de Cascais? Embora a ideia me tivesse surgido, seria um caso inédito na história das alergias e eu não achava que tal pudesse ter acontecido dessa forma ridícula.

Seria possível que, quem me atendeu do INEM, depois de me confirmar a ambulância, tenha concluído que o meu caso era uma enorme crise de aerofagia e se tivesse sem um real motivo “cagado” em mim?

Estou a levar muito tempo para te escrever esta carta, a chatice é que só consigo estar sentado uns 15 minutos, ao todo, por cada hora que passa, às vezes nem isso. Como estava a pensar que me viriam buscar em breve não tinha tomado o anti-inflamatório, o Naprozyn, passadas as 6 horas da última toma e, agora, estava para ali a torcer-me com dores, sem muita capacidade de raciocínio.

Voltei a ligar para o INEM. A espera estava-me a consumir e as minhas dores pareciam potenciadas pelo insólito e ridículo evento. O 112 passou-me, mais uma vez para o INEM. A pessoa que me atendeu esteve à procura do registo do caso e finalmente informou-me que, afinal, por indicação de um supervisor, a situação não tinha sido considerada urgente, afinal eu já tinha a dor há 4 dias, o que indicava não ser um caso de morte. Por isso mesmo não viria ambulância alguma buscar-me.

Minha querida amiga, terá de ficar para amanhã a continuação desta saga. Foi com algum esforço que te descrevi esta primeira parte, recebe um beijo franco deste teu amigo,

Gil Saraiva

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