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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

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A Deputada: Jacine Katar Moreira

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Olá Berta,

A minha mensagem de hoje é sobre a recém-eleita deputada do Livre, Joacine Katar Moreira. Esclareço-te desde já não fui um dos que votei nesse partido, contudo, vi com agrado a eleição de um dos seus elementos para o parlamento. A diversidade não prejudica a democracia e é, a meu ver, até muito bem-vinda.

Joacine Katar Moreira tem ainda a seu favor o seu problema da gaguez. Quando o digo desta forma refiro-me à onda solidária que se gerou com a sua eleição. Afinal não é fácil ser mulher e a única representante de um partido, pertencer ao mesmo tempo a uma minoria racial no hemiciclo, onde apenas mais 2 deputadas são negras, ao que se soma o facto da deputada ter dupla nacionalidade, não ter nascido em território nacional mas na Guiné, na capital Bissau há 37 anos atrás e demonstrar ser afetada por uma gaguez profunda numa profissão a onde a voz é um dos principais instrumentos de trabalho.

Faço estas observações preliminares porque Joacine reunia as condições perfeitas para ser levada ao colo durante grande parte da legislatura. Os portugueses são muito mais solidários, do que demonstram à primeira vista, e gostam sobremaneira de apoiar o elo mais fraco. É a chamada descriminação positiva. Uma forma de agir que não só não critico como sou daqueles que apoia e incentiva este tipo de atitudes.

Mas algo não vai bem com a deputada Joacine Katar Moreira, licenciada em História Moderna e Contemporânea, nomeadamente em Gestão de Bens Culturais, detentora do mestrado em Estudos do Desenvolvimento e com o doutoramento em Estudos Sociais Africanos pelo Instituto Universitário de Lisboa. Digo isto porque, de repente, a doutora deputada resolveu começar a disparar para todo o lado, lançando aos 7 ventos, a notícia de que tem sido vítima de mensagens de ódio inarráveis e inadmissíveis, como nunca imaginou ser possível.

Até aqui, a serem verdade as críticas apresentadas nada haveria a dizer sobre este comportamento e a vitimização poderia até ser justificada. Porém, a causa cai por terra quando Joacine mistura verdadeiras mensagens de ódio, essas absolutamente condenáveis, com as que apenas refletem oposição às suas ideias ou apresentam perspetivas diferentes das que o atual Livre demonstra ter.

Ora, erroneamente, a deputada põe tudo no mesmo saco o que se torna totalmente inaceitável. Não é compreensível que uma pessoa formada em História Moderna e Contemporânea, com mestrado em Estudos de Desenvolvimento e doutoramento em Estudos Sociais Africanos confunda a crítica ou as ideias diferentes das suas com mensagens de ódio, como algumas das que recebeu. Por exemplo, não consigo sequer entender o ataque que fez a Daniel Oliveira acusando-o de pensar como a extrema-direita em vez de rebater a opinião critica do cronista.

Já agora é preciso que se diga que há idiotas em todo o mundo e que sempre haverá mensagens de ódio, racismo, xenofobia, entre outras, por parte de indivíduos sem grandes princípios e que, obviamente, Portugal não foge à regra.  É que, neste campo, que envolve o insulto vindo de gente que não sabe estar, como diria Ricardo Araújo Pereira, Joacine Katar Moreira não está sozinha. Basta dar uma voltinha nalgumas redes sociais para ver um certo tipo de seres a achar que Portugal não pode ser governado por um velho monhé, que come palavras ao discursar.

A continuar a agir com esta vitimização total, a atingir vertiginosamente a irracionalidade, a deputada corre sério risco de ver desaparecer o capital de solidariedade, justa e sensata, com que iniciou o seu mandato. Em Portugal não é apenas fácil passar de besta a bestial, o inverso é igualmente verdadeiro e, Joacine, devia ponderar seriamente sobre o caminho que parece ter escolhido. Cá por mim espero que o bom senso prevaleça nas atitudes da luso-guineense e que os acontecimentos recentes não vir o seu novo “modus operandi”, sob pena de se vir a esbater a sua importância na Assembleia da República.

Deixo-te um beijo saudoso em mais esta despedida, este amigo que não te esquece,

Gil Saraiva

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