Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Carta à Berta / Desabafos de um Vagabundo / Miga, a Formiga / Estro

A partir de julho de 2022 os blogs do Senhor da Bruma, assinados por Gil Saraiva, são reunidos em "alegadamente". Os blogs: Estro (poesia), gilcartoon (cartoons) e Desabafos de um Vagabundo (plectro) passam a integrar este blog. Obrigado.

A partir de julho de 2022 os blogs do Senhor da Bruma, assinados por Gil Saraiva, são reunidos em "alegadamente". Os blogs: Estro (poesia), gilcartoon (cartoons) e Desabafos de um Vagabundo (plectro) passam a integrar este blog. Obrigado.

Carta à Berta n.º 589: Joseph Blatter -"I'm Back!" - Tribunal iliba Platini e Blatter de Corrupção na UEFA e na FIFA

Berta 589.jpg Olá Berta,

O suíço Joseph Blatter, o ex-presidente da FIFA, disse no passado dia oito de julho algo que poucos terão ouvido:

     - “I’m back!”

Com efeito, querida amiga, isto aconteceu porque Joseph Blatter e Michel Platini foram ambos absolvidos das acusações de corrupção de que eram alvo, enquanto estiveram nos lugares de topo do futebol mundial e europeu respetivamente. Após seis anos de investigação, que se diluíram numa confrangedora falta de provas concretas, e ao fim de duas semanas de julgamento na Suíça, saíram ilibados. Desse dia, à moda dos antigos filmes de terror e suspense de Alfred Hitchcock, ficarão para a eternidade as palavras de Blatter:

     - “Olá amigos, estou de volta, ainda forte. Terminaram sete anos de mentiras. Agora o jogo está de novo na direção correta. Ou como disse Michel Platini: vão voltar a ter notícias nossas…”

Segundo informa a Agência Lusa, cara Berta: «Em 08 de julho, Michel Platini e Joseph Blatter, antigos presidentes da UEFA e da FIFA, respetivamente, foram absolvidos das acusações de corrupção, após seis anos de investigação e duas semanas de julgamento na Suíça. Numa entrevista ao canal televisivo LCI, Platini garantiu que não tem vontade de voltar ao futebol, embora queira encontrar "os culpados" que estiveram ausentes do julgamento por corrupção. Blatter e Platini eram suspeitos de terem combinado o pagamento ilícito de dois milhões de francos suíços (1,8 milhões de euros) por parte da FIFA ao então dirigente máximo da UEFA.

Platini terá recebido a quantia em 2011, alegadamente, pelos serviços prestados como conselheiro de Blatter entre 1998 e 2002. Ambos justificaram o pagamento tão diluído no tempo com o facto de as finanças da FIFA, na altura, não permitirem remunerações tão elevadas como as acordadas entre Blatter e Platini. O caso já foi julgado nas instâncias desportivas, tendo Blatter, que renunciou à presidência da FIFA em 2015, sido suspenso por seis anos de qualquer atividade ligada ao futebol, por "abuso de posição", "conflito de interesses" e "má gestão", e Platini recebido uma punição de quatro anos.»

Quer isto dizer que Blatter e Platini não foram a julgamento pela parafernália de casos de corrupção de que eram suspeitos, mas apenas foram julgados por aquela acusação que parecia ter mais provas e ser mais consistente para formular uma acusação e uma posterior condenação.

Ora, ambos foram inequívoca e absolutamente ilibados no passado dia oito de junho de toda a acusação do processo. E foi, nesse mesmo dia, que começou um outro processo por parte de ambos os ex-arguidos, trata-se do processo indemnizatório para a reputação do bom nome destes dois homens e da limpeza da sua imagem, entretanto caída pelas ruas da amargura, como é evidente.

Isto quer dizer, minha amiga, que estes homens querem agora dinheiro, muito, mas muito, dinheiro de compensação pelo seu nome ter sido arrastado indevidamente para a lama badalhoca da corrupção. Aliás, será mais correto dizer que isso é apenas o que Michel Platini quer, porque Blatter, por seu lado, prepara-se para voltar a concorrer às mais altas instâncias do futebol.

Mal estará o mundo do desporto se Blatter concretizar este seu sonho, à laia de vendeta, e conseguir voltar a ser eleito presidente da FIFA. Porque, afinal, para um cargo destes não basta ser incorrupto, é realmente preciso parece-lo.

Agora, imagina tu, Berta, que algo deste género acontece com José Sócrates, consegues? Nem quero sequer imaginar. As consequências seriam devastadoras para a imagem da nossa justiça. Por hoje fico-me por aqui, despede-se este teu velho amigo, com um beijo de franca amizade,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta n.º 588: Assédio e Abusos Sexuais no seio da ONU

Berta 588.jpg Olá Berta,

As notícias começaram a surgir com mais força na imprensa escrita em Portugal, em meados de março passado, algures nas páginas internacionais dos diários e semanários e chegaram, de uma forma muito mais clara, através de um documentário que recentemente passou na SIC num horário depois das 24 horas. Para mim, caíram que nem bombas, e eu fiquei a aguardar pelos resultados.

Os meses passaram e, até hoje, nada aconteceu. Deves estar a tentar adivinhar do que estou eu a falar, certo, amiga Berta? Estou a falar de centenas de denúncias de abusos sexuais no seio da ONU, isso mesmo, a Organização das Nações Unidas e de muitas das suas derivadas como, por exemplo, a FAO, a UNISEF, a Organização Mundial de Saúde e muitas outras, tantas que até assusta.

Pelo que li nos jornais e vi e ouvi no documentário que passou na SIC e na BBC, minha querida, fiquei a saber que os todos os funcionários seniores e os altos quadros destas organizações (e são uns milhares) têm imunidade diplomática total, a nível mundial, de todas as leis nacionais e não podem ser julgados em qualquer que seja o país, pelos seus atos, e isto abrange os Estados Unidos da América e todos os outros países, sejam eles a Síria ou a República Democrática do Congo. Se cometerem um crime ou são acusados no seio da ONU e a pena é apenas o seu despedimento, ou nada acontece. Até hoje, pelo que consegui averiguar, nada aconteceu mesmo.

E não penses, cara Berta, que o assédio e o abuso sexual no seio destas organizações são meia dúzia de casos pontuais. Nada disso, só nos últimos quatro anos são centenas, de forma repetida, sistemática e diária. Há denúncias que falam, inclusivamente, de violações de crianças, em algumas das missões da ONU ou da UNISEF, entre outros, em países africanos e asiáticos.

António Guterres, enquanto Secretário Geral da ONU, veio inclusivamente dizer publicamente que passaria a haver uma política de tolerância zero para estas práticas no interior da ONU ou das organizações que dela são derivadas, como é o caso da UNISSEF, do Alto Secretariado para as Migrações ou a Organização Mundial de Saúde, entre outras.

Mas foram apenas palavras. Nenhum acusado foi julgado, fosse em que país fosse, nem mesmo pelas próprias organizações e, a grande maioria das vítimas que apresentaram queixa, acabou por ser liminarmente despedida.

Estamos a falar de homens que assediaram e violaram sexualmente, colegas de trabalho do sexo feminino, minha amiga, mas também outras mulheres e crianças que deviam estar sob a alçada e proteção da própria ONU ou das organizações que dela derivam.

A impunidade e a corrupção semeiam o pânico dentro da ONU, porém, talvez porque até ao momento, que eu saiba, as denúncias surgem apenas da parte de mulheres e crianças ainda nada foi feito para estancar tamanha ferida.

Segundo uma das vítimas, que denunciou estas práticas, ela chegou mesmo a falar com António Guterres, que lhe respondeu que tinha conhecimento de vários casos, mas que ele, diretamente, nada podia fazer. A coisa tinha que passar pelo organismo competente. Ora, cara Berta, esse organismo prefere calar as vítimas a culpar um (ou mais) funcionário sénior ou um alto cargo. Pior ainda, o organismo em causa não tem qualquer poder judicial, seja ele qual for, não podendo julgar, mesmo que quisesse, os indivíduos acusados de assédio ou abuso sexual.

Uma imunidade criada para que as organizações derivadas da ONU e ela própria pudessem agir sem ingerência dos países virou arma secreta de impunidade de umas centenas de predadores sexuais instalados no interior destas estruturas. É uma pescadinha de rabo-na-boca.

Já eu, minha querida, fico enjoado com tanta podridão. Se quiseres ver mais sobre o assunto procura na internet pelo tema, encontrarás centenas de notícias e relatos de denúncias, até na imprensa portuguesa. Assédio e abuso sexual na ONU, começa por aí que rapidamente chegarás ao restante. Despede-se com um beijo, triste com o nosso mundo atual, este teu amigo,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta n.º 587: S.O.S. - Incêndios!

Berta 587.jpg Olá Berta,

Eu sei que a vaga de calor de 2022 é, até ao momento, atípica, relativamente a anos anteriores. Não é apenas o calor que bate recordes, a terra, por seu lado, esta absolutamente ressequida, o país encontra-se, quase na sua totalidade, em seca extrema, falta água em todo o lado e, para tornar tudo verdadeiramente complicado, quase não há humidade no ar, raramente esta ultrapassa os 25% e o vento parece teimar em aparecer quando não faz cá falta nenhuma.

Porém, se os incendiários em Portugal, em vez de serem julgados e depois castigados com penas suspensas, fossem julgados como assassinos, na melhor das hipóteses, por tentativa e negligência (chega Pedrogão Grande para me fazer entender), estando a coberto de uma moldura penal, enquanto potenciais assassinos e levando penas efetivas de prisão superiores a dez anos, a crise seria muito, mas muito menor.

Estes indivíduos dão-nos cabo da paisagem, põem imensas vidas em risco, quando não as ceifam, diminuem gravemente recursos naturais, já por si escassos, e são tratados como delinquentes menores por uma justiça que pouco faz, enquanto que, se o incêndio fosse em sua própria casa, os olharia de outro modo bem diferente.

Para estes juízes picante na língua dos outros é refresco. Todavia, no entretanto, destroem-se propriedades, desfeia-se a paisagem, destroem-se recursos naturais, aniquilam-se poupanças de uma vida de um sem-número de famílias, geram-se pânicos pelo interior do país, colocam-se bombeiros e outros profissionais em risco de vida e os maiores culpados, quando são apanhados, são tratados com paninhos quentes em vez de serem julgados como perigosos criminosos, que é o que eles são.

Sou, querida Berta, totalmente contra este estado de coisas. Ainda por cima porque o SIRESP já “sirespa” e a Proteção Civil já protege. Contudo, há situações em que a lei tem de mudar se queremos sentir que vivemos numa sociedade justa. No presente estado da Justiça Portuguesa, esta premeia este tipo de criminoso, enquanto todo o país sofre com isso. Não é o único caso em que a falta de uma justiça verdadeira se faz sentir, mas se há que começar por algum lado, caramba, que se comece já por aqui. Despeço-me com um beijo de saudades, este teu amigo de sempre,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta n.º 586: SOS - Mais Um Bebé Abandonado

Berta 586.jpg Olá Berta,

Reza a história de ontem à noite, segundo informação da Lusa, que comandante dos Bombeiros Voluntários do Estoril, depois de contactado pela Agência, prestou a seguinte declaração, com vista ao esclarecimento dos factos:

“Recebemos um alerta às 23:50 para a existência de um bebé num caixote do lixo junto ao Hotel Pestana, em Cascais. Quando a equipa se deslocou ao local não encontrou o bebé no caixote de lixo. Após encetadas buscas pelas imediações foi encontrado o recém-nascido nas traseiras do hotel com evidencias de ter nascido há pouco tempo.”

De acordo com uma divulgação noticiosa da SIC, minha querida Berta, o bebé foi encontrado já hoje, enrolado num lençol, nas imediações de um hotel em Cascais. Informa ainda o canal que:

“O bebé, do sexo masculino, «foi estabilizado no local por uma equipa de emergência pré-hospitalar dos bombeiros» e levado para o hospital de Cascais. A PSP já esteve no local onde o bebé foi encontrado e o caso foi entregue à Polícia Judiciária.”

Pois é minha amiga, segundo o jornal diário Público: o “bebé ainda tinha cordão umbilical e foi transportado para o Hospital de Cascais.” Adianta ainda o diário que o infante foi encontrado no meio de uns arbustos no cruzamento da Avenida da República com a Avenida Humberto II de Itália. Em declarações ao Público o Segundo Comandante dos Bombeiros Voluntários do Estoril, Bruno Carvalho, afirmou: “Notava-se que o bebé tinha nascido há muito pouco tempo, ainda tinha cordão umbilical. Mas estava bem: chorava, mantinha uma boa temperatura. Foi depois encaminhado para o Hospital de Cascais.”

Outros órgãos de comunicação social avançam ainda, minha querida, com a existência de restos de placenta no corpo do recém-nascido, descrevem a localização como sendo nuns arbustos, junto a uma ciclovia, tendo o segundo comandante dos bombeiros voluntários do Estoril, declarado que: “Conseguimos entrar em contacto com a pessoa que fez o pedido de socorro, essa pessoa localizou-nos melhor o local onde ouvia o choro da criança, as equipas deslocaram-se para lá, encontraram um recém-nascido com sinais evidentes de que tinha nascido há poucas horas.”

Já numa reportagem da CMTV, transmitida esta manhã (e não te espantes amiga Berta), o repórter afirma que o bebé foi “atirado” para uns arbustos e depois realça que a Polícia Judiciária montou uma operação para tentar determinar quem é a mãe do recém-nascido. Pelo meio da reportagem são apontados os possíveis crimes cometidos pela progenitora. O presumível jornalista ainda afirma, com visível ar de preocupação no rosto, que o estado de saúde do bebé ainda é desconhecido, contrariando todas as informações divulgadas pelos outros órgãos de comunicação social.

Quem apenas escutou a reportagem da CMTV fica com a ideia, minha cara amiga, que uma perversa basquetebolista marginal atirou, enquanto passava, talvez de carro, um fardo, onde se encontrava um recém-nascido, para os arbustos, na plena consciência dos diferentes crimes de que será acusada quando fora encontrada.

Infelizmente, Berta, este é apenas o último e não o primeiro caso de abandono, com risco de terminar em tragédia, de recém-nascidos em Portugal. Ao longo dos últimos anos têm sido várias as situações semelhantes, com uma regularidade tal, num país onde a natalidade é um recurso precioso e escasso, que já fazia sentido que se tivesse montado uma infraestrutura qualquer de solidariedade, para proteger as mães e salvaguardar o nascimento das crianças em segurança, quando estas não têm condições mínimas de suporte pós-parto dos recém-nascidos, deixando de criminalizar as mães.

Todavia, isto sou eu, minha cara amiga, a imaginar um Estado de Direito que se preocupa genuinamente com o povo que governa, pois julgo que todos nós temos o direito a sonhar com uma qualquer utopia, sendo que esta é a minha. Despeço-me com um saudoso beijo, enviado por este teu amigo do coração, sempre ao teu dispor,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta n.º 585: Crises! Que Crises?

Berta 585.jpg Olá Berta,

Pelo que me contas a vaga de calor também invadiu o sul do país. Porém, aí pelo Algarve, junto à praia, é um pouco mais fácil de suportar a chegada do inferno. Esta nova aberração climática já colocou três mil bombeiros a combater incêndios, um pouco por todo o país, e fez disparar os óbitos por entre as pessoas de idade mais avançada.

Faz hoje catorze anos que cheguei a Lisboa, tendo passado a residir novamente na minha terra Natal. Como sabes, minha querida amiga, eu sou um homem do campo. Farto-me de repetir isso. Afinal, nasci em Campo Grande e resido em Campo de Ourique. Pode ser que os meus sessenta anos me tenham feito esquecer outras alturas, como esta, de grande calor. Mas, sinceramente, eu não me lembro de uma vaga assim.

Há quem diga, querida Berta, que esta é apenas mais um efeito das alterações climáticas. Pode ser que assim seja, contudo, em ano em que o país já atravessa as consequências de uma seca extrema, tudo se complica. O fogo parece não dar tréguas aos bombeiros e a falta de água torna ainda tudo bem mais complicado.

As crises, essas famigeradas ameaças à estabilidade deste povo que reside num paraíso à beira-mar plantado, não se sucedem umas às outras, agora a coisa pia mais fino, pois que, em vez disso, as crises acumulam-se umas por cima das outras, fazendo aumentar a pressão sobre uma população cada vez mais fragilizada desde 2008.

Primeiro veio a crise provocada com a falência do banco Lehman Brothers que, num efeito dominó, fez colapsar a banca mundial um pouco por todo o lado, atingindo Portugal por entre as vagas da desgraça. A possibilidade da banca rota faz cair, minha amiga, o Governo liderado por Sócrates, devido à anunciada eminência de banca rota nacional, numa altura em que o Primeiro-Ministro tentava minar a liberdade de imprensa em Portugal, não só acabou com o Governo vigente, como, fruto das eleições, fez com que Passos Coelho tomasse as rédeas do país.

A estas quatro ocorrências ou crises, somámos a chegada da Troika e a ajuda económica da União Europeia, passámos, subitamente, da dificuldade para a austeridade, com Passos a esmifrar o povo até ao último cêntimo. No topo desta quinta crise, a cereja veio da forma da Lei Cristas, a nova Lei das Rendas que desalojou milhares de pessoas dos seus lares, onde viviam há anos e em muitos casos há décadas. Esta senhora nunca irá a tribunal responder pela vaga de suicídios, de gente desesperada, que causou em Portugal. É pena, devia mesmo haver uma forma de lhe imputar a responsabilidade pelo acontecido.

A geringonça de António Costa, cara Berta, deu ao país a possibilidade de não se somarem mais crises às seis, que já invadiam a maioria dos lares do país.

Durante uns anos, poucos, como te recordarás, amiga Berta, o país pareceu serenar e iniciar o caminho árduo da recuperação, embora sem terem desaparecido as crises aparentavam estar a perder força. Eis se não quanto, a chegada de 2020, se fez anunciar pela forma de um vírus, que, em dois anos, infetaria mais de 50% da população portuguesa e mataria para lá de 24.300 pessoas no país, na sua grande maioria idosos indefesos e já com outras patologias próprias da idade.

A sétima crise trouxe rapidamente ao país o agravar das outras seis que ainda não tinham sido debeladas. Pior do que isso gerou novas, fez com que o débil Serviço Nacional de Saúde português entrasse, também ele, numa crise anunciada que chegava em força, por fim. Para mal da Lusitânia, a geringonça, também ela, terminava e a queda do Governo obrigou Portugal a viver de duodécimos por mais de seis meses, esta oitava e nona crises trouxeram novos níveis de stress a Portugal.

Porém, quando a coisa parecia querer respirar um pouco, constatámos que a seca extrema invadira o território nacional e que, na pacífica Europa, uma nova guerra eclodia, provocada pela invasão da Ucrânia pela Rússia. Com onze crises agora a gerarem o caos, outras quatro vieram ajudar à festa, a subida absurda dos combustíveis, a crise alimentar provocada pela falta dos cereais vindos do celeiro da Europa, ou seja a Ucrânia, a subida súbita das taxas de juros pela banca e, Berta, a chegada em força da inflação.

Ora, esta décima quinta crise, Berta, é precisamente aquela que mais danos provoca nas classes mais desfavorecidas, ou seja, na maioria dos portugueses. A fome alastra, a capacidade de pagar as responsabilidades familiares, sociais e pessoais esgota-se e as condições para o desespero ganham proporções bíblicas.

Neste contexto, a chegada a Portugal desta desproporcional vaga de calor, fruto das alterações climáticas, começa a pintar um novo quadro de inspiração dantesca no nosso território, somando mais cinco crises às existentes. Os mais idosos e com menos condições económicas falecem, levados pelo calor, outros desfalecem, pelo efeito da inflação, as mães receiam parir em resultado do fecho das urgências da especialidade, enquanto Portugal definha, fruto da falta de natalidade que se agrava a cada ano que passa no nosso flagelado canto à beira-mar.

É neste contexto de duas dezenas de crises, muitas delas consequências de outras pré-existentes, em que o país se encontra. Se este se tornar, novamente, num ano de grandes fogos, essa vigésima primeira crise, pode ser o princípio de uma nova era porque, minha querida, o povo é sereno, de brandos costumes, aguenta quase tudo, mas ninguém aguenta tudo.

É com a corda esticada ao máximo e já em tenção absoluta que me despeço por hoje, minha doce amiga. Não sei se Costa se consegue transformar num Santo António Costa, mas estamos todos à espera de um milagre e, afinal, temos Fátima para quê?

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta n.º 584: Aquasutra - A Última Moda Sexual Deste Verão

Berta 584.jpg Olá Berta,

Provavelmente ainda não ouviste falar em “aquasutra” (há quem escreva “aqua sutra”), mas desde que, este verão, a empresa de brinquedos sexuais Lelo lançou a sua versão do kamasutra, com a designação de “aquasutra”, que a coisa se propagou que nem rastilho aceso em paiol de pólvora e explodiu com estrondo, alastrando avassaladoramente e maioritariamente através da internet e das revistas femininas, mas não só.

Já há, inclusivamente, casos de praticantes apanhados em flagrante, normalmente fora de horas, nas piscinas de hotéis ou praias de resorts familiares. Porém, minha querida, a euforia parece não parar e a palavra tornou-se moda.

A prática, assumida pelo uso do termo, instalou-se no seio das classes média e alta, mas promete atingir o seu esplendor assim que chegar às camadas mais populares, o que não deve tardar muito, cara Berta.

Para se ser praticante de “aquasutra” basta assumir-se aderente, a que acresce a simples utilização da água no contexto da relação sexual. Para que isto aconteça basta o uso da mangueira de jardim, de uma fonte citadina noite dentro ou do duche, da banheira, do jacúzi ou da piscina. Depois, querida Berta, a sofisticação evolui num curso de água doce, num lago, num tanque de rega, numas termas, numa cascata, numa praia ou no mar.

Graças à imaginação humana, minha amiga, as variantes são muitas, havendo algumas, mais sofisticadas, que implicam o uso de equipamento de mergulho, tudo para que esses atos possam ser submersos, demorados e excêntricos.

Como em tudo, numa nova moda ou tendência, a fortuna pessoal dos envolvidos ajuda bastante nalgumas práticas mais radicais, como alugar um aquaparque para praticar a modalidade durante o uso de um escorrega, por exemplo. Conforme eu costumo dizer, querida Berta, o impossível apenas demora mais tempo.

Todavia, a propagação da modalidade é tal que, hoje, a conceituada magazine feminina “Women's Health” dedica uma página inteira ao assunto, sob o título: “Aquasutra: as melhores posições aquáticas que tem de experimentar.” O subtítulo também é sugestivo e diz: “É uma das fantasias sexuais mais comuns: sexo na água. Este verão experimente uma destas posições”.

Em seguida, minha amiga, o corpo do texto começa por explicar: “O verão é sinónimo de praia e / ou piscina. E a diversão ‘aquática’ não se resume a férias relaxantes ou desportos aquáticos. Também se estende à arena sexual. Ter relações íntimas na água é, sem dúvida, uma das fantasias sexuais mais difundidas devido ao elevado nível de excitação gerada, bem como à carga erótica associada a estes momentos. A Lelo (marca de brinquedos sexuais) criou a sua própria versão do Kamasutra – o mítico manual de sexo – numa versão aquática: o Aquasutra – ou o ranking das melhores posições sexuais para fazer debaixo de água.

Quer seja a sua primeira vez debaixo de água, ou se já atingiu o clímax entre as ondas, tem de tomar nota destas posições: o cavalo-marinho, a escada do prazer, o abraço ou o tapete do prazer.”

Depois a revista explica parágrafo a parágrafo cada uma das posições, tentando manter o decoro suficiente para não ver o artigo rejeitado pelas suas leitoras de elite. Aliás, Berta, se fizeres uma pesquisa no Google, encontras facilmente o artigo difundido online pelo magazine, basta seguir o link apresentado em: https://www.womenshealth.pt/aquasutra-as-melhores-posicoes-aquaticas-que-tem-de-experimentar/sexo/409380/.

Nada tenho contra estas novas tendências ou modas, minha querida amiga, ainda por cima sabendo eu que a prática sexual dentro de água é anterior aos tempos da antiguidade clássica e, quiçá, remonta aos primeiros seres humanos. Aqui, de novo, efetivamente, apenas existe o nome, a sua transformação em conceito e a sua consequente transformação em manual ilustrado, o: “Aquasutra”.

Por hoje fico-me por aqui, despeço-me na esperança de que esta carta te tenha dado algumas ideias para este verão, porque afinal, morando tu, amiga Berta, à beira da Ria Formosa, a existência de cavalos marinhos é uma realidade próxima. Beijo,

Gil Saraiva

Carta à Berta n.º 583: O Homem Que Sabe o Que o Povo Quer.

Berta 583.jpg Olá Berta,

Para Carlos Moedas, o Presidente da Câmara de Lisboa, o conceito de Feira Popular pertence ao passado, minha querida amiga. O senhor doutor conclui, do alto do seu pedestal, com a sapiência especializada dos seus anos na Europa, que os seus munícipes já não querem saber de carrinhos de choque, de montanhas russas, do poço da morte, do comboio fantasma, da barraca da Madame Futuro, do carrinho do algodão doce, da barraca das farturas ou dos restaurantes de grelhados num parque de diversões público dentro da cidade.

Para este visionário das aspirações do povo o que devia existir era, não muito afastado da cidade, mas fora do seu perímetro de governação, um parque temático. Já nas suas freguesias, Carlos Moedas, o homem que vai ficar na história por permitir e concordar com a abertura de um poço de ataque à construção da estação do Metro, com pelo menos 16 metros de diâmetro, no Jardim da Parada, em Campo de Ourique, prefere que existam parques verdes com equipamentos para as pessoas, porque, afirma convicto, cara Berta, ele sabe o que o povo quer.

É por causa destas sólidas convicções que o Presidente deixou cair a instalação da Feira Popular em Carnide, conforme estava previsto desde que esta desapareceu do centro da cidade.

Porém, amiga Berta, para não pensares que eu estou a inventar, transcrevo para aqui algumas das afirmações do intérprete do povo, o senhor doutor Carlos Moedas, à Agência Lusa, sobre o tema:

"Não é uma questão aqui de desistir do projeto, é que mesmo que eu não desistisse, ele desaparecia por si só".

"Hoje em dia não há, de certa forma, nem sequer há procura para este tipo de parques de diversão dentro das cidades, ou seja, nós nem estamos num cenário em que haja procura, com promotores que queiram fazer este tipo de coisas".

"Olhar para uma solução de um parque Feira Popular, que é uma solução que já não é da atualidade. Como se sabe, na maior parte das cidades europeias, estes parques são feitos longe da cidade, são parques temáticos, o caso de Madrid, o caso de Paris, portanto isso terá de ser repensado".

"Porque é que isso aconteceu? Eu penso que uma das razões é porque hoje em dia nas cidades já não faz sentido este tipo de soluções, porque se fizesse sentido alguém tinha na altura concorrido para fazer esse tipo de serviço, para fazer um parque de diversões. Ninguém concorreu, não há, eu pelo menos não tenho nota disso, portanto não vale a pena insistir numa coisa que não faz sentido".

"Não posso ter um plano para fazer um parque de diversões no centro da cidade quando isso hoje nas cidades europeias não acontece, gostasse eu ou não, portanto aqui o ponto, neste momento, é que não há condições para realizar esse projeto".

"um parque verde… é o que as pessoas que ali vivem querem, portanto isso é o que faz sentido".

Estás a ver Berta, quando convém o que as pessoas “querem” faz sentido. Fará sentido concluir que o que as pessoas “não querem” também faz sentido? É que mais de 99% da população de Campo de Ourique não quer uma estação de Metro no Jardim da Parada, só para reforçar o exemplo já dado. Contudo, para algo fazer sentido para Moedas não basta a vontade popular, ela tem de estar alinhada com a sua própria vontade e, ao que parece, com os interesses económicos envolvidos.

Não é uma originalidade ver um dirigente a falar em nome do povo, sem fazer a mínima ideia do que o povo quer. É mais do mesmo, apenas e só. Porém, não deixa de ser triste assistir à “demagogia feita à maneira” como cantava em tempos idos Lena d’Água. Por hoje é tudo minha querida, resta-nos ficar com a notícia triste de que, tão cedo, não voltará a haver Feira Popular em Lisboa. Deixo um beijo sentido, este teu eterno amigo,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta n.º 582: A Cerveja Pode Fazer Bem à Saúde?

Berta 582.jpg

Olá Berta,

Nesta semana uma notícia difundida na comunicação social fez as cervejeiras esfregarem as mãos de contentamento. Na maior parte dos cabeçalhos noticiosos o cabeçalho anunciava algo do género: “Afinal, beber cerveja faz bem aos intestinos e não engorda.”

Em subtítulo, a negrito, minha querida Berta, a maravilhosa descoberta ainda anunciava: “Investigadores concluíram que «beber cerveja faz bem à microbiota intestinal», um fator associado à prevenção de doenças crónicas como a obesidade, diabetes e cardiovasculares.”

O jornal diário Público, minha amiga, foi dos poucos que teve o cuidado de mudar o título difundido pela Agência Lusa para escrever no título, em vez do sugerido: “Beber uma cerveja por dia faz bem aos intestinos e não engorda, concluem investigadores.”

Com efeito, no corpo do texto divulgado pela Lusa, pode ler-se, cara amiga, a seguinte explicação:

«“O Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde (CINTESIS) no Porto realça que o estudo, publicado no Journal of Agricultural and Food Chemistry e que também envolveu investigadores da NOVA Medical School — Faculdade de Ciências Médicas, concluiu que “beber cerveja faz bem à microbiota intestinal”.

“O consumo de cerveja contribui para a melhoria da composição da microbiota intestinal, fator que tem sido associado à prevenção de doenças crónicas muito comuns, tais como a obesidade, a diabetes e as doenças cardiovasculares.” Sublinha a equipa de investigação.

Para realizar a investigação, a equipa recrutou homens saudáveis, entre os 23 e 58 anos, para participarem num ensaio, ao longo de quatro semanas, que consistia em beber diariamente 330 mililitros de cerveja, com ou sem álcool.

Os resultados provaram que o consumo de cerveja, uma bebida que resulta da fermentação de cereais, “aumenta a diversidade da microbiota intestinal, sem aumentar o peso e a massa gorda”. Através do estudo, os investigadores concluíram que a ingestão de cerveja “não interfere significativamente em biomarcadores cardiometabólicos”, como a glicose, colesterol e triglicéridos.

“Curiosamente, a fosfatase alcalina, um importante biomarcador de danos no fígado, rins e ossos, diminuiu no decurso do ensaio”, salienta o CINTESIS. O centro acrescenta que o benefício da cerveja na saúde intestinal “provou ser independente do teor alcoólico “, ou seja, ocorre quer a cerveja tenha álcool ou não.

Os investigadores acreditam que o efeito benéfico da cerveja pode estar ligado com os polifenóis presentes na bebida, à semelhança do que acontece com o vinho tinto. Citados no comunicado, os investigadores salientam que o estudo “vem demonstrar que este tipo de bebidas ricas em polifenóis, no caso a cerveja, é uma abordagem interessante para aumentar a diversidade da microbiota intestinal.” O estudo, que foi liderado pelas investigadoras Ana Faria e Conceição Calhau, contou ainda com a participação de outros especialistas do CINTESIS.»

Ora, não encontrei, na nossa comunicação social, falada ou escrita, nenhuma interrogação sobre o modo como o estudo foi conduzido e sobre o que realmente se pode concluir dele ou quais as questões que ficam por responder. O que, minha querida Berta, ou é uma falha dos órgãos de comunicação social ou é um encosto ao lóbi cervejeiro.

As conclusões do estudo, no meu entender, são realmente válidas para os jovens adultos saudáveis a partir dos 23 anos de idade e permanecem válidas até aos homens saudáveis de meia idade até aos 58 anos, que bebam, apenas e só, uma cerveja por dia, ou seja, 33 cl. Aquilo a que o estudo não responde por tal não foi analisado, nem sequer mesmo extrapolado, é às seguintes questões:

  1. Qual é o efeito da cerveja nas crianças, nos adolescentes e nos jovens até aos 22 anos de idade, mesmo que apenas ingiram uma cerveja por dia?

  2. Qual é o efeito da cerveja nos mais velhos, a partir dos 59 anos de idade, e quais os efeitos que provoca à medida que essa idade aumenta?

  3. Que tipo doenças são incompatíveis com o consumo de cerveja?

  4. A diferença de género gera ou não diferentes reações à cerveja, e em caso afirmativo, como se comporta a ingestão de cerveja entre homens e mulheres?

  5. A ingestão de uma cerveja, por dia, limita ou não o consumo de outras bebidas alcoólicas, podendo ter ou não consequências negativas?

  6. Como o estudo foi efetuado apenas com homens podem existir reações diferentes às descritas no estudo no consumo, efetuado dentro dos mesmos parâmetros, por mulheres?

  7. Se o estudo em vez de quatro semanas se mantivesse por um ano, ou seja, por mais 48 semanas, as conclusões teriam sido as mesmas?

  8. Se o consumo for o dobro, ou até mais, relativamente àquilo que foi estudado, as conclusões alteram-se e de que maneira é que isso acontece?

  9. Sabendo que em Portugal, segundo o censos de 2021, existem mais meio milhão de mulheres do que homens e que entre os 23 e os 58 anos apenas existem entre 2 a 3 milhões de indivíduos, sendo que os totalmente saudáveis rondarão a casa do milhão, talvez um pouco menos, para que serve um estudo que visa apenas dez porcento da população portuguesa, limitado no período de testes, e sem aferição das consequências da continuação do consumo passadas as 4 semanas?

Ora bem, minha querida Berta, as minhas questões podiam ser muitas mais, o que me aborrece, não no estudo, que me parece um bom passo em frente, mas na forma como o mesmo foi divulgado é que o nosso jornalismo atravessa um período sombrio.  Mas isto sou eu a achar, minha amiga, fica com um beijo de despedida muito saudoso, este teu amigo de sempre,

Gil Saraiva

 

 

 

ALEGADAMENTE: Carta à Berta / Desabafos de um Vagabundo / Miga, a Formiga / Estro

Berta.jpgA partir de julho de 2022 os blogs do Senhor da Bruma, assinados por Gil Saraiva, são reunidos neste blog. Os blogs: Estro (poesia), gilcartoon (cartoons) e Desabafos de um Vagabundo (plectro) passam a integrar este blog que muda de nome para: ALEGADAMENTE: Carta à Berta / Desabafos de um Vagabundo / Miga, a Formiga / Estro, substituindo a antiga designação de: alegadamente.

Provisoriamente, até final do presente livro de poesia, "Melopeias Róridas Entre Armila e Umbra" e sempre que se justifique, as poesias e os textos poéticos serão publicados nos dois blogs (https://alegadamente.blogs.sapo.pt e https://estro.blogs.sapo.pt).

Evidentemente, a Carta à Berta, manterá o seu espaço neste blog, aparecendo sempre que o autor sinta a necessidade de desabafar com a sua querida e velha amiga Berta. As temáticas serão as de sempre, ou seja, o que eu queira destacar num dado momento ou que ache por relevante criticar num outro. Tudo pode ser tema, desde o que se na minha rua, no meu bairro, na região, num qualquer local no país e, porque não, no resto do mundo.

Quanto aos blogs Desabafos de um Vagabundo, cuja página fica em: (https://plectro.blogs.sapo.pt) e gilcartoon, devidamente localizado em: (https://gilcartoon.blogs.sapo.pt) os novos posts apenas passarão a constar no presente blog, ficando o arquivo dos posts anteriores mantido nos blogs anteriormente usados para os divulgar, ou seja, os três outros blogs (gilcartoon, plectro e estro) passam a ter a função de arquivos do passado e nada mais.

Dentro deste blog, denominado alegadamente, passarão a ficar registadas as minhas impressões do mundo, as quais eu considero alegadamente verdadeiras, mas que ficam protegidas pelo guarda-chuva do "alegadamente" enquanto opiniões que me pertencem e não como verdades irrefutáveis. A forma como eu vejo o mundo é só minha e pode coincidir ou não com a de todos os outros ou, pelo menos, com a de algumas outras pessoas. O modo como eu registo algo é apenas a minha maneira de o sentir e não uma norma que se sobreponha à opinião de terceiros.

Grato pela atenção que me dispensaram na leitura deste texto, Continuo por aqui.

Obrigado.

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta n.º 581: ESTAÇÃO de METRO no Jardim da Parada - Pedro Costa Mentiu

Berta 581.jpgOlá Berta,

Pedro Costa mentiu, em vídeo, nos esclarecimentos proferidos aos residentes, moradores e lojistas de Campo de Ourique, na resposta à pergunta colocada online por Luís Malta sobre as obras da Estação do Metro sob o Jardim da Parada. Vou afirmar que mentiu por, alegadamente, não ter sido devidamente inteirado de tudo o que está em causa. Mas isso não impede o facto de ter mentido.

A resposta pode ser ouvida e vista em vídeo no grupo de Campo de Ourique, e noutros grupos certamente, no Facebook, a partilha foi efetuada às 17:31 por César Laranjo no dia 26 de maio de 2022.

À pergunta de Luís Malta:

“Gostaria de saber por quanto tempo vai ser instalado o estaleiro das obras do Metro e quais as árvores que vão ser abatidas?” Do que o Presidente da Junta de Freguesia de Campo de Ourique, Pedro Costa, respondeu importa-me realçar a grande maioria das explicações, assim como tentar verificar quais são os factos apresentados:

1) “Entendemos que é absolutamente prioritário a chegada do Metro a Campo de Ourique. Essa é a nossa principal prioridade.”

A minha Análise – Para quem e porque é que é prioritário colocar o Metro em Campo de Ourique, ainda por cima duas estações?

2) “Não devemos atrasar e discutir eternamente cada pedra tornando uma impossibilidade que o Metro cá chegue. O Metro tem que chegar e já vem tarde.”

A minha Análise – Ora, querida Berta, porque é que o Metro tem que chegar? Que franja dos habitantes o quer? Numa freguesia sobrelotada, uma das que tem maior densidade populacional em Lisboa e onde o custo de vida é um dos mais elevados, qual é a necessidade de duas estações de metro (sim duas, uma depois do shopping das Amoreiras, em direção ao centro do bairro e outra no Jardim da Parada) bem no centro do bairro. Não chegava a das Amoreiras? Porquê duas estações no bairro?

3) “Aquilo que existe é a garantia de que a expansão da linha vermelha é feita com fundos do PRR. O que significa que terão de ser gastos até 2025 ou 2026.”

A minha Análise – É óbvio que o Governo vai dar prioridade à linha de circular em Lisboa que, ao ligar o Rato ao Cais do Sodré completa o círculo daquela que será o eixo da circular fundamental do Metro em Lisboa. Depois vem a linha vermelha, como a menos prioritária, ou seja, minha querida amiga, enquanto o Estado pretende terminar o círculo até 2024, a linha vermelha está prevista terminar em 2026.

4) “Será esse o momento previsível da conclusão da obra. Em relação ao tema Estaleiro e Impacto Ambiental… Bom, o estudo de impacto ambiental que será apresentado amanhã…” (ou seja ontem dia 27/05/2022) ”… numa sessão onde estarei presente, e em que será, muito provavelmente, debatido, mais uma vez, na semana… na segunda semana de junho, no… no bairro, com o Metropolitano – foi esse o pedido que fizemos, pedimos que fosse feito esta semana… não houve disponibilidade do Metropolitano… estamos a discutir para a semana de 8 de junho - mas os resultados desse estudo apontam que não é provável que haja qualquer impacto no património arbóreo.”

A minha Análise – Aqui, Pedro Costa não responde a nada sobre o estaleiro da obra, o que constituía 50% da pergunta, fugindo absolutamente à questão de Luís Malta, (mas tendo em conta a duração dos estaleiros de outras estações o estaleiro ocupará a quase totalidade do Jardim da Parada e por um período nunca inferior a 18 meses). Porém, Pedro Costa mente, minha cara amiga Berta, muito embora use uma probabilidade para disfarçar a sua mentira, de forma a não parecer descarada, ao dizer que “não é provável que haja qualquer impacto no património arbóreo.” – Em resposta a Sara Beatriz Monteiro do Polígrafo, segundo os resultados do Estudo de Impacto Ambiental da APA, o Metropolitano de Lisboa enviou ao Polígrafo a seguinte resposta (que colocarei na integra no final desta carta) que é confirmada pela informação constante no artigo, ou seja, «é verdade. Obras de nova estação de metro em Lisboa vão obrigar a abater árvores no Jardim da Parada.» Mas o Polígrafo foi mais longe e apurou que não estão em perigo 3 lodãos, ou seja, 3 Celtis Australis, mas sim podem estar em causa um máximo de 11 árvores, 3 das quais fazem parte do lote das 4 árvores classificadas. Ora aqui não há como dizer que o Presidente da Junta de Freguesia de Campo de Ourique, Pedro Costa, não mentiu. Mentiu sim e mentiu com consciência do que estava a fazer. (não deixes de ver, amiga Berta, o que o Polígrafo publicou na integra no final desta carta, aqui só alterámos o tipo de letra e omitimos as imagens que foram publicadas no respetivo site).

5) “Ora, no primeiro projeto, não era exatamente isto que constava não era exatamente isto que constava, aquilo que constava era a necessidade de abater 3 lodãos do Jardim da Parada, mas garantir a segurança de todas as árvores classificadas. Este, para nós é um ponto essencial: Não serão postas em causa as árvores classificadas do Jardim da Parada.”

A minha Análise – Para que se saiba o Jardim da Parada só tem 4 árvores classificadas. Quanto ao lodão-bastardo, a árvore referida pelo Presidente, é uma árvore caducifólia cuja altura máxima varia dos 15 e os 30 metros, designada por Celtis Australis, que circunda todo o jardim, ou seja, não se tratam de árvores de pequeno porte. Ora, Pedro Costa fala de um novo estudo de impacto ambiental a ser apresentado a 27/05/2022 e afirma que não serão postas em causa árvores classificadas. Assim sendo, Pedro Costa, pelo que concluímos, não tem conhecimento, (tal como nós também não temos), do resultado do novo estudo (será que existe um novo ou trata-se apenas de uma presentação do atual estudo?). O que significa, minha querida Berta, que na data em que Pedro Costa respondeu a Luís Mata, voltou a mentir, desta vez desculpando-se com um futuro e desconhecido estudo de impacto ambiental a ser ainda apresentado em 27/05/2022, ou então já teve acesso privilegiado, o que seria irregular, a um estudo de impacto que ainda se desconhece e que seria duvidoso aparecer agora, uma vez que a discussão pública sobre o tema termina já a 2 de junho próximo. Só por si, um novo estudo, em cima do prazo de conclusão da discussão pública, devia originar o prolongamento do prazo da referida discussão pública, o que não consta que possa vir a acontecer e, Pedro Costa, mentiu também ao dizer que o primeiro projeto só previa o abate de 3 árvores quando na realidade eram realmente 8.

6) “Em relação às árvores… o projeto inicial previa a necessidade de abater três lodãos. Não é um problema sério. Mas abater 3 árvores adultas é, na minha opinião, uma inutilidade e deve ser evitado.”

A minha Análise – Mais uma mentira reforçada, e vinda já do ponto anterior, querida amiga, sendo que esta mentira é absolutamente descarada, pois que segundo o Polígrafo o projeto inicial, “no Estudo de Impacto Ambiental relativo ao prolongamento da Linha Vermelha a Alcântara que se encontra atualmente em Consulta Pública, é referida a necessidade de abate de oito árvores”.

7) “E, portanto, aquilo que propus ao metro a 23 de dezembro…” (2021) “… foi a transferência da Estação debaixo do Jardim da Parada para a porta do quartel da Infantaria 16. Fechando a circulação daquele cruzamento, fazendo uma praça na porta do quartel e instalar ali a Estação de Metro de Campo de Ourique. Perde centralidade. Dois quarteirões, eventualmente, mas não uma centralidade extraordinária, a parte das saídas, podem, aliás manter-se, e, portanto, esta foi a proposta.”

A minha Análise – Como se o Metropolitano fosse fazer uma alteração tão radical que implicaria novo Estudo de Impacto, mais nova consulta pública e mais custos acrescidos de projeto, para além do facto de deixar duas estações de metro a apenas trezentos e poucos metros uma da outra. Esta resposta de Pedro Costa é o que eu chamo, minha amiga Berta, empurrar o problema com a barriga. E não sendo uma mentira, é, certamente, um absurdo.

8) “A resposta que tivemos do Metropolitano foi de dificuldades de engenharia na adaptação do traçado. Hoje mesmo, voltei ao assunto, junto do novo Ministro do Ambiente, que ficou de recuperar o tema junto do Metropolitano, e conversarmos nos próximos dias à cerca dessa hipótese ou da sua impossibilidade. Na sua impossibilidade, ficou assente a necessidade de reduzir ao máximo os impactos no Jardim da Parada. E de impactos falo de dois impactos: Primeiro – a necessidade de abater as árvores. - Está fora de questão o pôr em risco as árvores classificadas - aliás, o estudo do impacto ambiental diz que é pouco provável que haja qualquer impacto no património arbóreo e, portanto, façamos fé nesse estudo. E mesmo a defesa dos lodãos, que não sendo, eventualmente, património arbóreo, não me parece que haja um ganho extraordinário em que sejam abatidos e, portanto, aquilo que ficou de ser estudado e amanhã repetirei exatamente isto, na discussão pública é da hipótese de transferir os tuneis de ataque da obra do Jardim da Parada para as ruas Tomás da Anunciação e 4 de Infantaria.”

Um Pequeno Aparte: Aproveito este ponto, cara Berta, para fazer uma declaração de interesses. Não tenho nada de pessoal ou político contra Pedro Costa. Com efeito, fui militante do PS, com quotas pagas, até há uns sete anos atrás. Já fui assessor autárquico, na década de 90 de um Presidente de Câmara de Faro e também já estive quer na Comissão Executiva da Comissão Política Concelhia do PS Faro, quer na Comissão Política Executiva da Federação do PS Algarve. O PS tem sido, portanto, a referência política da minha vida. Apesar disso reconheço que sempre fui contra o direito monárquico há muito em voga no PS de os filhos dos políticos ascenderem, por causa de laços familiares a cargos políticos. Na década de 90 fui contra a ascensão de Jamila Madeira pelo simples facto de ser filha do notável do PS, Luís Filipe Madeira, tal como hoje sou contra a ascensão, pela via familiar, de Pedro Costa, a nível político, por ser filho de António Costa.

A minha Análise – Pedro Costa volta a mentir ao dizer que: “Está fora de questão o pôr em risco as árvores classificadas - aliás, o estudo do impacto ambiental diz que é pouco provável que haja qualquer impacto no património arbóreo e, portanto, façamos fé nesse estudo.” Mas não é isso que o Estudo de Impacto Ambiental diz, minha saudosa e querida amiga Berta, podemos ler no Poligrafo que: os autores do relatório consideram que “poderá haver impactos indiretos sobre as três árvores classificadas presentes no Jardim Teófilo Braga”. Ainda assim, este impacto negativo será “pouco provável, indireto, local, temporário, reversível, de reduzida magnitude”, podendo ir de “pouco significativo a significativo, dependendo das consequências da perturbação das raízes para a integridade das árvores”. Isto quer dizer que o Metropolitano tem o conhecimento prévio de que a construção da Estação do Metro de Campo de Ourique por debaixo do Jardim da Parada pode prejudicar, de modo significativo, 75% das árvores classificadas no Jardim da Parada, por consequência da perturbação das raízes na manutenção da integridade das árvores mas que deposita, tal como Pedro Costa, uma grande fé de que isso não venha a acontecer. Ainda assim, solicita à população que tenha fé de que tudo decorrerá, se houver otimismo e fé, sem incidentes graves. Viva a fé que todos nós, portugueses, temos nas expetativas auspiciosas de construtores de infraestruturas, do Metropolitano e das afirmações do inexperiente político (neste capítulo) Pedro Costa. Deixar o património Arbóreo entregue à fé é no mínimo algo muito preocupante.

9) “Esta é a proposta que farei amanhã e que espero ver garantida. Na primeira reação que tive do Sr. Ministro do Ambiente é da mesma vontade. Conciliar vontades com os autarcas e com as populações no âmbito da discussão pública do projeto.”

A minha Análise – Mas onde é que a dita vontade de políticos e ministros tem validade na prática e nas ações das construtoras? E desde quando é que a vontade de Pedro Costa é a vontade da população do Bairro de Campo de Ourique, o que te parece Berta? Saberá Pedro Costa que o Metropolitano prevê uma afluência de 5 milhões de passageiros por ano, no mínimo, às estações do Metro de Amoreiras e Jardim da Parada, as duas estações de Campo de Ourique? E saberá que isto resulta em que, no horário das 8 da manhã até às 19 horas, o Metropolitano prevê um fluxo de 1500 utentes por hora, todos os dias, doze meses por ano, incluindo sábados, domingos e feriados no nosso já congestionado bairro? E saberá que as saídas de Metro vão implicar a supressão de, no mínimo, 25 lugares de estacionamento na Rua Francisco Metrass e de, pelo menos, mais 10 na Rua Almeida e Sousa? E saberá que é do interesse dos residentes da Rua Francisco Metrass, que já têm cargas e descargas de dos camiões do Pingo Doce, Go Natural do Continente e Minipreço, a partir das 6 da manhã, ter mais de 600 pessoas por hora a sair e entrar nas Estações de Metro que irão ficar entre o Edifício Europa e o Supermercado Go Natural nesta rua? Não tem como saber. Como não pode saber que os habitantes do bairro queiram mais 5 milhões de pessoas, por ano, a andar ou passear pelo bairro.

10) “Julgo ter esclarecido os principais pontos do comentário do Luís Malta, mas de vários comentários que fui lendo ao longo da semana. Este afastar dos poços de ataque do centro do jardim permite, aliás, manter, naturalmente, o jardim mais transitável. O Metro tem previsto para o Jardim da Parada apenas uma saída, uma saída de elevador no local onde estão hoje os sanitários, e, portanto as saídas dos Metros de elevador nunca são saídas principais, são sempre saídas residuais. Há poucas pessoas que utilizem uma saída de elevador para sair de uma estação de Metro.”

A minha Análise – Não consigo compreender, cara Berta, como é que se coloca um elevador de Metro encostado a um Parque Infantil, achas que alguém me consegue explicar? Está certo que os 5 milhões de utilizadores anuais das estações de Metro de Campo de Ourique não irão todos usar o elevador do Metro do Jardim da Parada, encostado ao Parque Infantil, mas daqueles que usarem o elevador qual é a probabilidade de existirem pedófilos entre eles? Entre 5 milhões acho que a probabilidade tenderá a ser elevada. E dá-se acesso a possíveis predadores pedófilos a um Parque Infantil encostado a uma estação de Metro, ainda por cima, através de um elevador? O Senhor Presidente da Junta que me desculpe, mas acho que, uma obra destas, roça a incúria e incentiva o ataque dos predadores que, como é sabido, de anjinhos nada têm.

11) “As saídas previstas estão na Rua Almeida e Sousa, na Rua Francisco Metrass, e está-me a faltar uma, não consigo, não me lembro exatamente onde é, mas estão previstas duas na Francisco Metrass e uma na Almeida e Sousa e serão as principais saídas do Metro e não exatamente no jardim.”

A minha Análise – Ora bem, e tu acho que concordas comigo, minha cara Berta, o uso pouco frequente do elevador do Metro no Jardim da Parada, encostado a um Parque Infantil, ainda mais a possibilidade de este ser de uso apetecível dos prováveis predadores pedófilos que o descubram, não lhe parece senhor Presidente da Junta de Freguesia, Pedro Costa?

12) “Dar ainda nota sobre uma outra questão dos pedidos que fizemos ao Metropolitano para a intervenção no Jardim da Parada, garantir que um respiradouro previsto para uns canteiros seja uma grelha e não uma torre e, portanto, reduzir o impacto visual do mesmo num espaço tão importante como o Jardim da Parada.”

A minha Análise – Com efeito, caro Pedro Costa, espero que pelo menos essa sua expetativa se possa cumprir. Quando ao resto, infelizmente, a minha costela de ateu, não me deixa grandes esperanças na fé que o senhor e, pelo que afirmou, o senhor Ministro do Ambiente e também o próprio Metropolitano, parecem ter. O que te parece, amiga Berta?

------------------------- Fim da Carta à Berta -------------------------

Polígrafo

Passemos agora ao artigo de Sara Beatriz Monteiro, que aqui reproduzo na integra e que é acompanhado de imagens e que poderá consultar na integra no Site do Sapo, na respetiva página do Polígrafo, de 6 de maio do corrente ano em https://poligrafo.sapo.pt/fact-check/e-verdade-obras-de-nova-estacao-de-metro-em-lisboa-vao-obrigar-a-abater-arvores-no-jardim-da-parada#. Onde se lê (as palavras a negrito são da minha responsabilidade):

Polígrafo

«É verdade. Obras de nova estação de metro em Lisboa vão obrigar a abater árvores no Jardim da Parada.

O QUE ESTÁ EM CAUSA?

Escreve-se nas redes sociais que o Jardim Teófilo Braga, também conhecido como Jardim da Parada, em Campo de Ourique, foi escolhido para “instalar uma estação de metro”. Numa publicação do Facebook, assinala-se que naquele espaço “existem algumas das mais importantes árvores de Lisboa”. O Polígrafo consultou o estudo de impacto ambiental da obra e concluiu que o projeto obrigará ao abate de algumas árvores sem classificação de interesse público.

“Esta gente perdeu o juízo de vez e acredita que vale tudo para concretizar as suas loucuras. Quem no seu devido juízo escolheria o histórico Jardim da Parada, onde existem algumas das mais importantes árvores de Lisboa, como o local ideal para esburacar e instalar uma estação de metro?”, questiona-se numa publicação partilhada num grupo de Facebook com mais de 27 mil membros, a 24 de abril.

O texto é acompanhado de uma imagem onde se vê um projeto da localização exata da futura estação que, segundo o post, poderá ser construída sob o Jardim Teófilo Braga/Jardim da Parada, no bairro de Campo de Ourique, em Lisboa.

Confirma-se?

O Polígrafo consultou o Estudo de Impacto Ambiental do prolongamento da Linha Vermelha entre São Sebastião e Alcântara do Metropolitano de Lisboa, que está em consulta pública de 21 de abril a 2 de junho, e confirmou que as alegações feitas na publicação em análise são verdadeiras.

Segundo este documento, será “inevitável a necessidade de abate de algumas das árvores do Jardim da Parada para a instalação dos dois poços de ataque”, sendo que o número e porte das árvores a abater “dependem da localização exata e das medidas de segurança associadas à abertura dos poços de ataque”.

O estudo explica, contudo, que serão abatidas apenas árvores sem classificação de interesse público. No entanto, os autores do relatório consideram que “poderá haver impactos indiretos sobre as três árvores classificadas presentes no Jardim Teófilo Braga”. Ainda assim, este impacto negativo será “pouco provável, indireto, local, temporário, reversível, de reduzida magnitude”, podendo ir de “pouco significativo a significativo, dependendo das consequências da perturbação das raízes para a integridade das árvores”.

Num esclarecimento enviado ao Polígrafo, o Metro de Lisboa sublinha que “o abate de árvores no Jardim da Parada fica a dever-se apenas a necessidades imprescindíveis de âmbito técnico e de segurança para a concretização da construção da estação Campo de Ourique”.

Nesse plano, acrescenta, “os estudos das componentes de paisagismo e fitossanitária considera o abate de seis lódãos (celtis australis) no Jardim Teófilo Braga/Jardim da Parada, mas não integram o grupo de espécies florestais protegidas por lei específica”. A empresa adianta que “está prevista a reposição no final da obra de quatro árvores no âmbito da preocupação do Metro de Lisboa a nível paisagístico”.

 Importa sublinhar que, apesar de estar previsto o abate de apenas seis árvores no Estudo de Impacte Ambiental, um aditamento a este relatório salienta que "apenas em fase de projeto de execução será possível determinar, com rigor, quais as árvores afetadas pela implementação do projeto". Assim sendo, nesta fase, não se pode afirmar o número concreto de árvores não classificadas que serão abatidas.

De acordo com a mesma fonte oficial, “no Estudo de Impacto Ambiental relativo ao prolongamento da Linha Vermelha a Alcântara que se encontra atualmente em Consulta Pública, é referida a necessidade de abate de oito árvores”. No entanto, “o Metro e as entidades envolvidas já conseguiram reduzir esse número para seis árvores, com vista a minimizar e proteger a natureza envolvente”.

Em suma, é verdade que a construção da nova estação do metro em Campo de Ourique obrigará a abater algumas árvores. No entanto, segundo o estudo de impacto ambiental, os exemplares arbóreos com classificação de interesse público não correm risco de abate.»

Declarações do Metropolitano de Lisboa

Outras divulgações públicas do Metropolitano de Lisboa: “Amoreiras - A estação Amoreiras terá a sua localização ao longo da Rua Conselheiro Fernando Sousa, próximo do cruzamento desta com a Av. Engenheiro Duarte Pacheco. Prevê-se a sua construção a céu aberto, por método C&C (cut and cover) e terá uma profundidade de 18,5 metros.”

“Campo de Ourique - A estação Campo de Ourique ficará localiza sob o Jardim Teófilo Braga/Jardim da Parada, no bairro de Campo de Ourique. Esta estação representa um grande desafio do ponto de vista construtivo, considerando a malha urbana apertada, com arruamentos com uma única faixa de circulação por via e com falta de alternativas de estacionamento. A estação terá uma profundidade de 31 metros e três pontos de acesso.”

“O prolongamento da linha Vermelha está enquadrado no Plano de Recuperação e Resiliência 2021-2026 com um financiamento no montante global de € 304.000.000,00 (trezentos e quatro milhões de euros). A expetativa é que esta extensão da linha Vermelha esteja em concurso no ano de 2022 e que seja uma realidade em 2025/2026.”

“Os estudos realizados indicam que a procura diária captada nas quatro estações que integram este prolongamento corresponderá a um acréscimo no primeiro ano após a entrada em exploração de 11 milhões de passageiros (4,7%) em toda a rede. Considerando a análise a 30 anos, os benefícios gerados por este projeto da linha Vermelha ascendem a 1.047 milhões de euros. A nova configuração da linha Vermelha vai conseguir retirar da circulação diária de Lisboa 3,7 mil viaturas individuais, o que significa menos 6,2 mil toneladas de CO2 no primeiro ano de operação.”

Gil Saraiva

 

 

 

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Em destaque no SAPO Blogs
pub