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Alegadamente

Este blog inclui os meus 4 blogs anteriores: alegadamente - Carta à Berta / plectro - Desabafos de um Vagabundo / gilcartoon - Miga, a Formiga / estro - A Minha Poesia. Para evitar problemas o conteúdo é apenas alegadamente correto.

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Carta à Berta n.º 629: O Oportunismo Nojento do Homem Lixivia

Berta 629.jpgOlá Berta,

Toda a gente soube pela televisão, julgo que tu também, da morte de duas mulheres no Centro Mundial da Religião Ismaelita em Lisboa, pela faca e pelas mãos de um homem descontrolado e, pelo que se diz, não correspondido naquilo que este alegava ser a sua paixão por uma das vítimas. O enredo ainda é maior do que isto, mas o sumo da situação é este basicamente.

Tratou-se de um crime puramente passional, Berta, que, tal como aconteceu no Centro Ismaelita, acontece quase todos os dias a uma imensidão de mulheres em Portugal e em muitas outras partes do mundo. Mulheres que são tratadas como se fossem filhas de um deus menor que, para o caso, nem importa qual possa ser.

O que é evidente é que este crime não tem local próprio, classe social, raça ou idade, cara amiga. A única constante é a morte de mulheres às mãos dos amantes, namorados, maridos, apaixonados, encantados, desiludidos ou mesmo não correspondidos.

O que interessa, minha querida, é que este tipo de situações de ordem passional resulta, em muitas das vezes, em crimes graves contra as mulheres e, como desta vez, em assassinatos, maioritariamente violentos.

Ora, querida Berta, este é um tipo de eventos que não tem como ser revertido. Uma vez assassinada a vítima, em cada uma das ocorrências, ou as vítimas, já não há como reverter o processo. A mulher ou mulheres morrem e a perda é total para os familiares e amigos de quem foi assassinada e, mais do que tudo, para a própria.

Quero eu dizer com isto, amiguinha, que não se trata de roubar uma ourivesaria em que, dez minutos depois, se recupera o ouro roubado. Aqui roubam-se, uma ou mais vidas, quase sempre no feminino, e o processo termina imediatamente para aquelas que foram assassinadas.

Nos diferentes países do mundo o que devia acontecer, sempre que uma situação destas ocorre, Berta, era o assassino ter como condenação a pena máxima, aplicada pela justiça, do respetivo país onde se passou a situação. Uma pena que teria de ser sempre cumprida na integra, sem perdões ou indultos, reduções de pena por bom comportamento e mais a parafernália de dispares que se inventam para tirar assassinos da prisão, onde deveriam apodrecer.

Ver estas coisas acontecerem, com uma base quotidiana, minha amiga, já devia ter levantado todos os alertas há muito tempo. Afinal, vivemos no século XXI. Mesmo quando as vítimas não morrem, mas são raptadas, abusadas, violadas ou estropiadas, deveria, em todos os casos, a pena ser igualmente a mesma.

Talvez, tendo certeza dos riscos de tais penas, houvesse menos gente a julgar que se pode safar com um castigo leve ou nem isso.

As mulheres não são coisas de que os homens se possam descartar ou usar recorrendo à mutilação, violação ou assassínio. Não são animais que sirvam para ser rebaixados, pontapeados ou escravizados. Aliás, Berta, nem mesmo os animais e as coisas merecem esse tipo abjeto de tratamento, quanto mais mulheres, esses seres humanos que têm os mesmos direitos do que os homens. E onde não os têm, deveriam tê-los.

Só porque, minha amiga, algures num passado, perto ou distante, alguém distorceu as regras da igualdade isso não faz o injusto passar a ser justo ou o errado virar certo. Será isto assim tão complicado? Claro que não!

Mesmo naqueles territórios ou países onde, por força da religião ou pela religião da força, se obrigam as mulheres a viver sobre a alçada dos homens, mesmo aí, quem subjuga sabe que erra e quem é subjugada reconhece a injustiça do tratamento, minha querida.

Isto tem de ter um fim, Bertinha. Quanto a mim acabará por tê-lo. Mais cedo ou mais tarde a igualdade de género prevalecerá e quem não o entender acabará devidamente castigado. Cá por mim, devia ser mais cedo, tipo ontem, e mesmo assim já era muito tarde.

Agora, Bertinha, voltando de novo aos assassinatos por causas passionais, no Centro Mundial da Religião Ismaelita em Lisboa, de duas mulheres, mortas à facada pelo descontrolo de um idiota não correspondido no amor, foi repugnante assistir em direto, na televisão, às insinuações de André Ventura, vestindo o seu fato de alegado bom populista (xenófobo, cretino e oportunista), tentar tirar partido de uma morte passional, como tantas outras que quase diariamente acontecem, infelizmente, em Portugal.

O reles André gostou de se vir armar em arauto da desgraça nacional porque um emigrante assassino atacou e matou duas mulheres em Lisboa, tentando, assim, minha cara amiga, transformar um crime passional num problema nacional com emigrantes que não foram passados na sua lixivia racista de oportunista barato.

Chega de Chega, porque já chega! O André desventura, só se aventura a ir para a televisão dizer estas barbaridades porque vive num país de brandos costumes, que tudo atura ao Ventura da desventura populista. Tirando partido disso a avantesma abusa e insiste na sua demanda mesquinha e nojenta de defensor dos homens da lixivia “branquela” e desmiolada. Não te parece, minha querida, que o sujeito devia ser banido do sistema democrático? Enfim, deixo-te um beijo,

Gil Saraiva

 

 

 

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