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Carta à Berta / Desabafos de um Vagabundo / Miga, a Formiga / Estro

A partir de Julho de 2022 os blogs do Senhor da Bruma, assinados por Gil Saraiva, são reunidos em "alegadamente". Os blogs: Estro (poesia), gilcartoon (cartoons) e Desabafos de um Vagabundo (plectro) passam a integrar este blog. Obrigado.

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Carta à Berta: A propósito do Chalé da Estrela

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Olá Berta,

A propósito do demolido Chalé da Estrela, o vereador da Câmara Municipal de Lisboa com o pelouro do ambiente, José Sá Fernandes, esclarece que a demolição do edifício da antiga escola Froebel, que albergou a primeira creche do país, não estava prevista. O que aconteceu foi que o edifício já tinha problemas estruturais que se encontravam para além de qualquer reabilitação.

Sá Fernandes respondeu à vereadora do PCP, Ana Jara, na reunião pública de câmara, que o responsabilizava da demolição ignóbil do imóvel de interesse público, que não se verificou qualquer possibilidade de salvar a construção em causa devido ao avançado estado de degradação, até porque, afirmou então: “praticamente todos os pilares exteriores estavam irrecuperáveis”.

Ana Jara declarou também que: “Alguém chamou a Lisboa a Capital Europeia da Demolição. Esta é uma obra do mesmo pelouro da Capital Verde” disse a vereadora comunista e quis esclarecimentos absolutamente claros sobre a sua questão: “Qual era realmente o estado de conservação deste edifício?”, argumentando que com as “metas de sustentabilidade ambiental tão abstratas”, a cidade de Lisboa “não tem relação nenhuma com a reabilitação”.

Mais se esclareceu que a Direcção-Geral do Património Cultural tinha autorizado a intervenção desde que essa não levasse o caso para “o desmonte integral do edifício”, o que, efetivamente acabou por acontecer. Estes factos fizeram surgir uma imensidão de críticas nas redes sociais durante o fim-de-semana passado, de tal forma que o Fórum Cidadania Lx enviou uma carta de protesto à Câmara de Lisboa e o grupo cívico Vizinhos da Estrela divulgou o projeto publicamente, mal conseguiu o acesso ao mesmo.

Ora, o vereador do ambiente, Sá Fernandes, reafirmou, tal como já fora igualmente esclarecido pela autarquia, que a necessidade de demolição fora atestada por um relatório da empresa Spy Building de 2016. O vereador afirmou então que: “Há dois relatórios do mesmo dia. Um que analisa as peças que ainda estão sãs. Depois há outro relatório que analisa as patologias” acrescentando a garantia de que: “78% da totalidade dos pilares exteriores encontram-se degradados”. Aconteceu ainda por cima, segundo Sá Fernandes, que entre esses relatórios e o lançamento do concurso de empreitada (2019) e daí até à atualidade passaram mais quase cinco anos, o que levou a que: “uma parte da cobertura ficasse muito instável” impossibilitando, também aí, a recuperação.

Todos estes esclarecimentos de Sá Fernandes constituíram, no seu conjunto, a primeira intervenção pública do vereador no que se refere ao presente projeto. Aliás o autarca fez questão de incluir todos os outros vereadores na problemática ao acrescentar: “Este projeto veio aqui a reunião de câmara. Já sabíamos disto em 2016, já sabíamos disto quando foi lançado o concurso”.

Esclareceu igualmente que o comunicado da câmara de 26 de janeiro, que anunciava as obras, apenas reportava uma “intervenção de conservação e restauro” e “a reformulação integral das fundações”. Para além disso, refere que, apenas na última semana, é que foi feito uma adenda esclarecendo que, a degradação dos últimos cinco anos tinha levado a que “cerca de 70% dos materiais de origem não estivessem em condições de ser restaurados”.

Contudo, apesar de todas as contestações, Sá Fernandes afirma que a reabilitação do chalé da Estrela “não é um pastiche”, ou seja uma mera cópia de somenos valor. Aliás, garante que a sua reconstrução integral “vai ser um caso exemplar”. Afirma ainda poder garantir que o edifício “vai ser um caso exemplar de um edifício em madeira que vai ser construído exatamente da mesma forma”.

Com esta conclusão, amiga Berta, e nada me leva a suspeitar do vereador nesta matéria, podemos concluir que a demolição do edifício se ficou a dever à lenta tomada de decisões por parte da Câmara Municipal de Lisboa e que, devido a isso, a única solução encontrada foi a reconstrução integral do Chalé da Estrela, respeitando em absoluto o tipo de construção e materiais utilizados na época para o erigir pela primeira vez. Se assim for feito nada terei a criticar, veremos se a palavra se mantém.

O que mais me espanta é que na altura em que os protestos foram difundidos no Facebook já o vereador do Ambiente tinha efetuado publicamente todo o esclarecimento. Afinal, se devido ao tempo que passou até ao arranque das obras, devido à burocracia, o Chalé da Estrela teve de ser demolido totalmente, responsabilizando-se a Câmara de Lisboa pela sua reconstrução exatamente nos termos do projeto original, não vejo que mal tenha vindo ao mundo, e confio mais na reconstrução do que numa reabilitação matreira. Com isto me despeço amiga Berta, deixo um beijo,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta: A Recandidatura de António Guterres

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Olá Berta,

António Guterres, Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas, apresentou publicamente a sua recandidatura a novo mandato à frente da ONU, se for eleito manteremos um português até 2027 à frente da mais prestigiada organização mundial e logo no topo da pirâmide, no mais alto cargo internacional.

Pessoalmente, amiga Berta, agrada-me a ideia de termos durante uma década um português à frente da ONU, que, no entretanto, já colocou outros portugueses em outras lideranças de si dependentes, caso de Durão Barroso na vacinação mundial e António Vitorino como Alto Comissário para as Migrações, entre outros. Todos, a acreditar no que diz a imprensa internacional a desempenharem um excelente papel para os cargos para os quais foram designados.

Esta é uma boa fase para a diplomacia portuguesa e para o prestígio do país a nível global. Agrada-me também o facto de serem todos os representantes oriundos do centro político português, ou seja, terem como partidos de origem quer o PS quer o PSD. Pessoalmente, mas isto sou eu, nunca colocaria Durão Barroso à frente de coisa alguma, porém, é um português que acolhe várias simpatias internacionais que podem revelar-se importantes no desempenho do seu cargo, na difícil gestão mundial da vacinação.

Embora eu não seja um defensor de sociedades secretas como as da “Ordem Rosacruz”, da Maçonaria, e de tantas outras, nem o facto de António Guterres ocupar um elevado cargo na hierarquia da Opus Dei me incomoda. Enquanto a prestação do Secretário-Geral da ONU se mantiver ao nível que vem sido demonstrado, bem pode ele subir o que puder e bem entender na dita sociedade secreta que isso pouco me incomoda.

Em Portugal já foram tornados públicos os apoios à recandidatura de Guterres por parte do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e do Primeiro-Ministro, António Costa. Ter-me-ia parecido bem se Rui Rio tivesse feito o mesmo, mas, pelo menos que eu tenha dado conta, tal ainda não aconteceu. Julgo, todavia, que esse apoio não tardará, até porque não faria qualquer sentido que assim não fosse. Já no caso dos outros partidos com assento parlamentar não são de esperar quaisquer manifestações nesse sentido, não porque tenham algo contra ou a favor, mas, penso eu, porque estão demasiado ocupados com as suas agendas de reforço político interno.

Para terminar esta carta de hoje, resta-me desejar a melhor das sortes a Guterres, numa altura em que o regresso dos Estados Unidos da América às organizações internacionais pode significar um grande avanço diplomático, em vários dos programas em curso. Com isso me despeço, deixo um beijo de até amanhã,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta: A Propósito de Uma Pandemia

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Olá Berta,

Ando aborrecido com esta pandemia. Por um lado, a quantidade de gente no mundo que já morreu por causa direta, e devidamente registada, devido à Covid-19 é algo que está para lá do aceitável. Também me aborrece ter a certeza que amanhã Portugal ultrapassa, a contar desde o início desta praga, os 800 mil infetados com o coronavírus, ou seja 8% da população, uma verdadeira tragédia. É um em cada 12,5 portugueses que já foram afetados pela ameaça do “bicho mau”. Um horror.

Por outro lado, é certo que quando a morte não bate numa porta próxima de nós a situação nos parece vaga e genérica, contudo, só para ficares com uma ideia, minha querida Berta, imagina que todas as mortes provocadas pelo coronavírus tinham acontecido em Portugal, durante este último ano.

Se assim fosse, e se fossemos somando concelho a concelho até atingirmos o número total de mortos, o cenário era o equivalente a morrerem todas as pessoas, incluindo crianças e bebés, nos seguintes concelhos do país: Lisboa, Porto, Coimbra, Faro, Funchal, Ponta Delgada, Aveiro, Leiria, Viana do Castelo, Beja, Évora, Setúbal, Braga, Viseu, Vila Real, Covilhã, Castelo Branco, Ponte de Lima, Bragança, Guarda, Portalegre, Santarém, Entroncamento, Loulé, Tavira, Espinho, Almada e Oeiras.

Toda esta gente somada perfaz o número de vítimas por Covid no mundo, desde que a pandemia começou até hoje, somando um total de dois milhões e meio de pessoas. Uma verdadeira barbaridade.  Tudo isto sem contar com as mortes em excesso devido às dificuldades económicas ou às doenças que ficaram por tratar.

As estimativas aproximadas parecem indicar que desde que a pandemia teve início o mundo perdeu, para além da média anual de óbitos no globo, uma população equivalente à de Portugal, ou seja, se todas as mortes em excesso, desde março de 2020 até fevereiro de 2021, tivessem ocorrido em Portugal, o país já estava dado como extinto.

É este absurdo que mexe com a minha estabilidade emocional. Porque raio é que uma coisa destas tem de acontecer? Quase parece que o planeta quis mostrar aos humanos aquilo de que é capaz de fazer se o desafiarem. Estás a ver, minha querida amiga, estou nostálgico e chato. Já basta de te aborrecer. Não te preocupes que isto passa. Recebe um beijo amigo de até amanhã,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta: O Rapper Pablo Hasél

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Olá Berta,

Pablo Rivadulla Duró, no mundo da música conhecido pelo nome de Pablo Hasél é um rapper originário do país vizinho. Poderíamos dizer que é um espanhol, mas o seu nascimento em Lérida em 9 de agosto de 1988, coloca-o como natural da Catalunha e ele considera-se um catalão e não um espanhol.

Aos 32 anos caiu sobre ele aquela que é, para já, a sua segunda sentença da balança da justiça espanhola, e que se traduz em nove meses de prisão efetiva. Mas andava armado este rapper? Gerou desacatos e provocou tumultos tais que interferiram na ordem pública? Não! Pablo Hasél apenas escreveu. Concretamente escreveu contra a monarquia, a dependência de Espanha e o direito da libertação da Catalunha daquilo que ele considera ser o jugo espanhol. Na escrita usou palavras fortes, ofensivas dirão muitos e instou ao terrorismo acusarão outros.

Eu, pessoalmente não gosto, de Rap. Aqui ou ali, aparece uma composição dentro do estilo que vem mais ao encontro do meu gosto, mas essa é uma situação muito rara. Mas não é o meu gosto que está em causa. O Rap funciona exatamente como um estilo provocador, ofensivo e corrosivo contra os padrões sociais instituídos. É parte do ADN deste espectro musical a agressão verbal, sendo que o Rap deve ser, tanto quanto possível for, chocante e incomodo.

Não é à toa que nas américas já foram assassinados quase uma dúzia deles nos últimos anos. Dizem as más línguas que foram liquidados pelo sistema, o qual, não querendo fazer dos músicos vítimas da liberdade de expressão, os silenciou prematuramente de forma definitiva, imputando culpas a terceiros ou a guerrilhas e rivalidades entre gangues e outros grupos. Todavia, nada disso se encontra provado e, até prova em contrário, deve ser considerado como «fake news».

Eu, amiga Berta, que abomino fascistas, leninistas, maoístas, terroristas, nazis e outros desgovernados mentais de direita ou de esquerda ou de fanatismo religioso, continuo a pensar que não se podem proibir textos, livros ou músicas ou panfletos que, em caso de incumprimento de qualquer regra, possam levar os seus autores à prisão. Não é preciso nada disso, basta esperar pelos atos em si para, aí sim, punir quem atentar contra a liberdade.

A única exceção que considero possível de legislar e que acho que devia ser punível com cadeia são as «fake-news». Porque a distorção da realidade não tem nada a ver com a liberdade de expressão, mas sim com a criação de falsas verdades que podem atentar contra a dignidade dos próprios factos.

Mas uma coisa é uma notícia manifestamente falsa, outra bem diferente, é alguém ter uma interpretação desses factos, fora do senso comum e, mesmo assim, defendê-la como sua verdade. Isso pode ser idiotice, mas nunca poderá ser crime, por mais inverosímil que seja a interpretação.

Regressando a Hasél, que se afirma como um rapper político, de consciências, poético e alternativo, um artista da palavra oral, condená-lo e mantê-lo preso só lhe traz mais força e lhe amplia uma razão que pode nem ter. Nem é preciso ir muito longe para entender que o Estado tomou a opção errada, basta ver o caos que se tem gerado em Madrid, na Catalunha e atualmente já em outras zonas de Espanha, como Sevilha, por exemplo, devido à sua condenação e prisão efetiva.

Como pode a Europa defender a libertação do líder da oposição russa, Alexei Navalny, se permite que um país da União tenha presos políticos, como é o caso de Espanha, só para falar apenas do caso em análise? Existem ou não uma série de ex-líderes catalães presos por defenderem a independência da Catalunha? Pode ser difícil de aceitar a desagregação de um país, mas não se pode obrigar, pela força das armas, escondida numa justiça que apenas pende para o lado do opressor, a manutenção dessa união.

Eu, se os espanhóis viessem agora defender a integração do antigo condado portugalense, e consequentemente, por tabela, de Portugal, na sua área territorial, seria por certo mais um terrorista da palavra contra o domínio espanhol das terras lusas. Se nós, há quase nove séculos, impusemos a nossa independência, é natural que a Catalunha tente fazer o mesmo, ainda que com 878 anos de atraso relativamente a nós. Ou só é justo o que nós fizemos?

Eu posso ser um romântico, mas o Sol, quando nasce, é para todos. Para finalizar, sobre Hasél ou outros artistas que usam o palavrão como linguagem, é mais simples proibir genericamente o uso indevido de linguagem obscena, pornográfica ou violenta em determinados suportes, como os musicais ou outros, o que, apesar de tudo e quanto a mim, não adiantaria muito porque a palavra sempre encontra um jeito de se manifestar. Agora, prender alguém, por contestação política ou social, praticada apenas por palavras, é algo profundamente errado.

Chegado que sou ao fim desta temática, e já indo eu adiantado no texto, resta-me, minha muito querida Berta, deixar aqui expressa a minha saudade e despedir-me até à próxima carta que será, por certo amanhã, recebe um beijo deste amigo de todos os dias,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta: De Júlio César a Marcelino da Mata e a Mamadou Ba

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Olá Berta,

Hoje, se me puderes ler em desabafo, agradeço-te de coração. Tenho andado bastante irritado com a polémica viral em torno das declarações de Mamadou Ba, um dos rostos do SOS Racismo em Portugal, sobre a pessoa do tenente-coronel Marcelino da Mata. Mais me irrita ainda que seja a direita a tomar as dores da defesa da honra do falecido militar e a querer crucificar o elemento ligado ao SOS Racismo.

Em primeiro lugar, esta não devia ser, nunca por nunca ser, uma questão política e muito menos uma temática ligada ao racismo. Em segundo plano, a história, quando se analisa e estuda e quando sobre ela se comenta, tem sempre de ser analisada à luz da época em que ocorreram os factos e não pode, sob pena de perder a sua essência temporal e geográfica, ser transportada para a realidade e para os valores da sociedade contemporânea.

Há ainda uma terceira abordagem, à qual terei o cuidado de voltar no final desta carta, e que diz respeito ao ditado: “À mulher de César não lhe chega ser honesta, deve também parecê-lo”. O princípio desta última premissa, se assim lhe podemos chamar, tem a ver com um dos problemas sociais mais graves da atualidade, não apenas em Portugal, mas que se tem generalizado pelo mundo supostamente civilizado e que começa a necessitar da devida correção.

Todavia, já que falamos em Júlio César, pergunto-te, minha querida amiga Berta, que pensamentos tens quando te lembras dele? Igualmente, sem qualquer problema, eu próprio respondo à questão, pensas num grande imperador que foi capaz de levantar e erguer um grande império, que por acaso pertenceu a uma das duas mais importantes civilizações clássicas da nossa história ocidental.

Poderia também indagar o que achas dos reis de Portugal que expandiram o Condado Portucalense, a começar por D. Afonso Henriques e a parar apenas quando, já como Portugal, o país ocupou o Algarve. Pelo caminho ficaram batalhas sanguinárias com os reinos vizinhos cristãos e com os reinos mouros a Sul do país. Falas de heróis ou de assassinos, sem dó nem piedade, quando recordas a sua história? Também respondo, uma vez mais, que falas de heróis.

Aliás, por falar em Portugal, o mesmo se passa com os Descobrimentos Portugueses e com a implantação do império colonial português. Dentro do contexto histórico e analisando o pensamento de então, nem a escravatura pode ser condenada quando foi praticada em larga escala nessa altura. Foi necessário muita alteração de mentalidades e muita luta por princípios que hoje nos parecem evidentes, para que uma prática que vinha da pré-história e que era refletida como natural fosse considerada uma barbaridade. Afinal, a história deve ser analisada à luz da sua época.

Podia estar para aqui a falar do império zulu, mongol, chinês, grego, otomano, espanhol, inglês, alemão, soviético ou egípcio, aliás, não importa qual deles se analisa, se retirados do pensamento e da época, em resumo, do contexto, aquilo que fica é apenas e somente a atrocidade, a guerra e a barbárie, associadas sempre à sede de poder e de conquista dos protagonistas invasores e dos seus povos, ou seja, sem enquadramento a realidade fica comprometida e a verdade dos factos deixa de fazer sentido.

É curioso pensar que nem a história das principais religiões do mundo escaparia a uma análise fora de contexto, à luz dos princípios e valores que hoje nos regem, enquanto sociedade civilizada e integrada no século XXI. Todas, sem exceção, incluindo as orientais, tiveram de praticar aquilo que hoje apelidamos de atrocidades para vingarem na devida altura e se imporem a outros credos e crenças. Podemos nem sequer conhecer o percurso e engenho de cada uma delas em concreto, mas se as formos analisar em detalhe…

Por tudo o que aqui explanei, e muito mais havia para dizer e exemplificar, as afirmações do cidadão Mamadou Ba, enquanto individuo, não passam das opiniões do próprio e deviam ser enquadradas enquanto tal se, e aqui é que nasce o problema, ele não fosse um dos elementos da organização não governamental SOS Racismo e se as mesmas declarações não tivessem sido proferidas enquanto voz desta organização.

Neste enquadramento o senhor Mamadou Ba torna-se um falso moralista que ofende a própria organização que representa pela descontextualização que faz da pessoa do tenente-coronel Marcelino da Mata. As alegações de Mamadou Ba são sectárias e indignas de um dirigente do SOS Racismo e esta revelação deveria ser a condição necessária e suficiente para que a própria instituição afastasse este elemento da sua equipa.

O assunto nunca deveria servir de bandeira a uma direita histérica, armada em defensora de algo que não lhe pertence, mas que é parte integrante do nosso coletivo histórico enquanto povo e país. É por esta mesmíssima razão, e sem qualquer pejo, que considero que o tenente-coronel Marcelino da Mata foi um herói do seu tempo ao serviço do seu país, no seio das circunstâncias que rodearam a sua luta, tal como D, Afonso Henriques o foi no seu ou Alexandre, o Grande na sua altura.

Desenquadrar figuras históricas e analisá-las à luz dos nossos dias é, e se não é devia ser, um crime de lesa-memória da história dos povos e o seu julgamento nunca deveria ser de cariz político-partidário, mas de efetiva descontextualização da verdade e dos factos da própria história. Um raciocínio como o de Mamadou Ba, para chamar de assassino a Marcelino da Mata, da forma como foi feito, serve igualmente para que se possa considerar Jesus Cristo, um radical religioso, líder de um movimento terrorista.

Resumidas que estão, neste último parágrafo, as duas primeiras premissas com que comecei esta carta, amiga Berta, retorno igualmente à terceira: “À mulher de César não lhe chega ser honesta, deve também parecê-lo”, ou seja, se Mamadou Ba quer ser uma personalidade de relevo no seio da organização SOS Racismo, tem não apenas de ser integro nas suas avaliações como parecer isento nos pareceres que emite publicamente.

Sem estas qualidades o dito senhor apenas descredibiliza a entidade que representa e tira-lhe o prestígio e a atenção que deveria efetivamente ter. Agradeço-te, querida Berta, pela paciência que por vezes te obrigo a ter quando me lês. Contudo, a tua atenção acalma-me o espírito e serena-me das irritações que apanho com estes falsos defensores de direitos e princípios que escondem o seu próprio preconceito na sombra das instituições que representam. Por hoje fico-me por aqui, deixo um beijo saudoso,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta: Vem Aí a Depressão Karim

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Olá Berta,

O Inverno regressa em força este fim-de-semana. A Proteção Civil já veio fazer (esta passada sexta-feira) o devido aviso à população. Com efeito, vem aí de novo a chuva, a neve, o vento e a agitação marítima, quer já para este sábado, quer para todo o domingo. A culpa deste alerta é inteiramente imputado à depressão Karim.

Dividindo o fim-de-semana nos dois dias o IMPA, o Instituto do Mar e da Atmosfera, diz que se pode contar, já para hoje com chuva temporariamente forte a partir da manhã no litoral Norte e Centro, progredindo gradualmente para o restante território, sendo que o vento deve rondar os 50 km/h do quadrante sul, por vezes, com rajadas até 90km/h no litoral e até 110 km/h nas terras altas. Contudo, a ventania deverá diminuir progressivamente de intensidade a partir da tarde. O IMPA prevê ainda uma redução de visibilidade devido a chuva e possibilidade de nevoeiro matinal no interior.

Quanto a domingo as previsões anunciam chuva temporariamente forte durante a madrugada no interior, passando a aguaceiros. Existe também a possibilidade de granizo e neve acima de 1000 metros de altitude. O vento deverá soprar até 30 km/h do quadrante oeste rodando para noroeste, por vezes temporariamente forte até 40 km/h nas terras altas. Também durante este segundo dia do fim-de-semana se notará uma redução de visibilidade devido a chuva. Mais aborrecida é a previsão de uma descida da temperatura.

Tendo em conta o que acabei de referir a Proteção Civil avisa para o perigo de existência de um piso rodoviário escorregadio por provável acumulação de gelo, neve e formação de lençóis de água, bem como emite um alerta para a possibilidade de cheias rápidas em meio urbano, por acumulação de águas pluviais ou insuficiências dos sistemas de drenagem. Na continuação das notícias menos agradáveis fica registada a possibilidade de inundação por transbordo de linhas de água nas zonas historicamente mais vulneráveis, assim como a queda de ramos ou árvores e a possível interferência do mau tempo em infraestruturas associadas às redes de comunicações e energia e desconforto térmico.

Passo de seguida, a enviar-te, amiga Berta, o comunicado da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil onde constam as medidas preventivas, para os cidadãos, nomeadamente:

  1. “Garantir a desobstrução dos sistemas de escoamento das águas pluviais e retirada de inertes e outros objetos que possam ser arrastados ou criem obstáculos ao livre escoamento das águas.”
  2. “Adotar uma condução defensiva, reduzindo a velocidade e tendo especial cuidado com a possível formação de gelo nas vias rodoviárias.”
  3. “Não atravessar zonas inundadas, de modo a precaver o arrastamento de pessoas ou viaturas para buracos no pavimento ou caixas de esgoto abertas.”
  4. “Nas vias afetadas pela acumulação de água, são desaconselhadas viagens com crianças, idosos ou pessoas com necessidades especiais.”
  5. “Evitar circular naquelas vias com veículos pesados, em particular articulados, veículos com reboque e veículos de tração traseira.”
  6. “Ter especial cuidado na circulação e permanência junto de áreas arborizadas, estando atento para a possibilidade de queda de ramos ou árvores, em locais de vento mais forte.”
  7. “Ter especial cuidado na circulação junto da orla costeira e zonas ribeirinhas historicamente mais vulneráveis a estes fenómenos.
  8. “Prestar atenção aos grupos mais vulneráveis (crianças nos primeiros anos de vida, doentes crónicos, pessoas idosas ou em condição de maior isolamento, trabalhadores que exerçam atividade no exterior e pessoas sem abrigo.”

Em resumo, a depressão Karim, vem ajudar toda a gente, minha querida Berta, a cumprir o confinamento e o isolamento social e bem podes voltar a pôr a roupa de inverno na cama. Despeço-me com um beijo,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta: Mercado de Campo de Ourique Fecha Devido a Covid

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Olá Berta,

O Mercado de Campo de Ourique fechou hoje devido à Covid-19. Aparentemente um funcionário da limpeza acusou positivo na quinta-feira, o que levou a junta de freguesia e a Câmara Municipal a fecharem o mercado ao público para poderem proceder durante o dia de hoje à desinfeção do espaço, por intermédio dos operacionais do Regimento dos Sapadores Bombeiros de Lisboa.

As informações foram dadas à Lusa pelo não eleito Presidente da Junta de Freguesia de Campo de Ourique, o senhor Pedro Costa, filho do atual Primeiro Ministro. Segundo relatou a decisão de encerrar o espaço para descontaminação foi tomada em articulação com a Câmara Municipal de Lisboa, através do vereador da Câmara, responsável pela proteção Civil, Miguel Gaspar.

Devido ao encerramento brusco a Câmara Municipal decidiu indemnizar os comerciantes do mercado de Campo de Ourique pelas perdas das mercadorias de hoje. Contudo, devido à descontaminação não se sabe, até ao momento se o espaço reabrirá ou não já este sábado.

Aliás, no decorrer das declarações à Lusa, Pedro Costa, declarou: "Tudo depende dos contactos agora dos responsáveis da Saúde que estão a fazer o inquérito epidemiológico. Sei que se tratou de um funcionário do mercado, mas não sabemos agora os contactos que teve".

O atual presidente da junta informou ainda que poderão haver comerciantes identificados, devido aos contactos com o funcionário infetado, que terão de ficar em isolamento profilático. Adiantou ainda este responsável que a autarquia tem funcionários que poderá fazer deslocar para o mercado em caso de necessidade, para que este volte a abrir.

A operação de hoje envolveu duas viaturas do Regimento dos Sapadores Bombeiros de Lisboa, mais as da Proteção Civil e da Polícia Municipal. Ao todo, pelo que consegui contabilizar, minha querida Berta, a mobilização para estas ações envolveu uma força mista de 16 elementos. Sabes, minha querida, o mercado de Campo de Ourique é um daqueles espaços que dá vida ao bairro e é constrangedor vê-lo fechado, principalmente na zona das bancas de venda do peixe, onde a tradição ainda se sente na plenitude. Por hoje fico-me por aqui, recebe um beijo amigo,

Gil Saraiva

 

 

 

 

Carta à Berta: Bolsonaro e o Combate à Droga

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Olá Berta,

O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro veio a publico dar os parabéns às suas autoridades pela apreensão de 2,2 toneladas de cocaína, numa ação que ocorreu a 270 quilómetros da costa, durante a inspeção a um veleiro em transito. A rota da embarcação comprovou que o destino da cocaína era a Europa.

Em declaração considerada entusiástica Bolsonaro declarou nas suas redes sociais: "Ou mudam de rota ou abandonam o crime". Segundo a imprensa brasileira a referência aos traficantes que enviam cocaína dos países sul americanos e que usam o Brasil como ponto de distribuição generalizado da droga serve de aviso aos bandidos de que o país está atento e pronto para os obrigar a mudar de estratégia, sob pena de ficarem sem a droga.

Segundo o site «noticias ao minuto»: “A apreensão aconteceu numa operação inédita realizada por autoridades do Brasil e com órgãos de combate ao tráfico internacional de drogas como o Centro de Análise e Operações Marítimo-Narcóticas (MAOC-N), organização internacional com sede em Lisboa, a Administração de Fiscalização de Drogas (DEA) ligada ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos da América e a Agência Nacional de Crimes do Reino Unido.”

Jair Bolsonaro, que nunca referiu na sua intervenção a cooperação internacional, deu apenas os parabéns à Polícia Federal, responsável pela operação, e fez referência à colaboração com a Marinha do Brasil. Aliás, ao comentar as imagens mostrando os 2.200 quilogramas de drogas, informava que esta era a maior apreensão de cocaína realizada neste ano.

O veleiro foi intercetado na segunda-feira por um navio de guerra, sendo os cinco tripulantes presos de imediato. A quantidade da carga apreendida só foi revelada nesta terça-feira, depois do navio ser escoltado até ao porto do Recife, local onde a cocaína foi pesada.

Por sua vez, o Ministério da Justiça brasileiro divulgou uma nota onde dava conta que as autoridades do Brasil fizeram durante 2020 a captura de quase cem toneladas de cocaína, um pouco abaixo do máximo em apreensões registado no ano de 2019 onde foi atingida a marca das cento e trinta toneladas. Mais uma vez, ficou omissa nesta divulgação a colaboração fundamental com o Centro de Análise e Operações Marítimo-Narcóticas, cuja sede se localiza em Lisboa, com o Departamento de Justiça americano e com a Agência Nacional de Crimes do Reino Unido.

Há ainda a referir que, na passada semana, a Polícia Federal conseguiu apanhar cerca de 500 quilos de cocaína ocultos numa aeronave particular cujo destino final era Portugal. Embora todas estas ações resultem da colaboração internacional, em caso algum o Governo de Bolsonaro faz referência a esse facto.

Nas redes sociais, corre o boato humorístico de que, alegadamente, a felicidade de Bolsonaro, com as apreensões de cocaína se deve ao facto de, assim, o referido presidente, poder ter o que consumir gratuitamente, durante os próximos tempos. Certamente que se trata de uma notícia falsa, embora venha sempre acompanhada de fotografias de Jair agarrado ao seu nariz.

Estes boatos mal-intencionados, minha querida Berta, penso que se devem ao facto de continuar a haver uma grande parte da sociedade brasileira descontente com a atual presidência. O aproveitamento das notícias de apreensão de drogas, sem o reconhecimento oficial da ajuda internacional e aproveitando o descontentamento externo que isso gera, leva uma parte da oposição a Jair Bolsonaro a especular sobre o alegado consumo de drogas por parte da presidência do Brasil. Coisa com a qual eu não pactuo. Dada que está a novidade, despeço-me por hoje, com um beijo saudoso,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta: Portugal Está Mais Violento?

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Olá Berta,

Não sei se é de estar em casa em isolamento e devidamente confinado, se é de andar a ler mais notícias, mas é inegável que, desde março passado até hoje, tenho sentido que a criminalidade aumentou, ao que me parece, bastante. Ontem um sujeito, de máscara cirúrgica e boné, assaltou uma dependência bancária roubando mil duzentos e tal euros, em Vila Real. No mesmo dia um outro sujeito, em Borba, foi esfaqueado e estrangulado.

No sábado, um outro individuo foi apanhado a roubar equipamento hoteleiro de uma cozinha de um hotel encerrado. No domingo foi detida uma mulher suspeita de atear um fogo numa pensão na baixa de Coimbra, da qual resultou um morto. Isto que descrevi é apenas uma amostra pequena, referente a três dias, para não falar em violência doméstica ou de crimes de incumprimento do Estado de Emergência.

Podia arranjar bastantes mais, só destes três dias, mas apenas fui consultar as manchetes dos principais jornais entre sábado e segunda-feira. Para meu espanto, são todos crimes diferentes e se fosse ler um correio da manhã de fio a pavio encontraria certamente mais uma boa dúzia em um único dia e mais do que isso para os três dias aqui em causa nesta carta. O que achas disto, amiga Berta? Andará no ar algum concurso de como fazer mal ao próximo em tempos de pandemia?

Analisando as situações acho que está tudo a ficar maluco. Espero que o país consiga ser célere no combate ao coronavírus e que rapidamente voltemos a uma vida mais normal. Por agora, o que me vem à ideia é que as pessoas, com uma cabeça mais frágil, se estão a começar a passar. Gostava de saber se é só impressão minha ou se a criminalidade tem mesmo aumentado durante estes tempos pandémicos. Se vires alguma estatística sobre o assunto, avisa minha querida amiga. Pode ser? Por hoje não me alargo mais. Despeço-me com um cumprimento de muita saudade e com um beijo,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta: A Ministra Nabiça Que Nunca Será Espinafre!

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Olá Berta,

Não são apenas as pequenas livrarias independentes que suplicam pela reabertura dos seus espaços de venda, também os editores e livreiros fazem coro nesse pedido. O comércio de livros voltou a estar autorizado nas grandes superfícies como é o caso de hipermercados e supermercados, mas essa discriminação faz com que os mais pequenos, livrarias e alfarrabistas peçam coragem ao Governo para transformar esta pequena cedência numa coisa bem mais abrangente, geral e universal para todo o setor livreiro.

Não faz qualquer sentido que dentro do negócio dos livros sejam apenas as livrarias, os únicos que apenas fazem do livro o seu negócio exclusivo, a não poderem estar abertos para o negócio. A situação é realmente ridícula não ter sido considerada exceção no atual estado de emergência porque, em termos meramente comparativos, é mais perigoso uma pessoa deslocar-se a uma papelaria, quiosque ou tabacaria que também vende livros do que a uma livraria onde, por norma, a frequência de clientes até tende a ser menor e onde o risco de qualquer contágio é bastante inferior.

Em declarações à Lusa o próprio presidente da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros, a APEL, Pedro Sobral diz não entender porque podem a Fnac ou o Corte Inglês ou as tabacarias estarem abertas e as livrarias não, segundo as suas afirmações à Lusa a situação não tem qualquer lógica.

A Rede de Livrarias Independentes (RELI), uma associação nascida em 2020 e que congrega cerca de 80 livrarias "sem ligação a redes e cadeias dos grandes grupos editoriais e livreiros" afirmou, pela boca do porta-voz, José Pinho, segundo a mesma fonte que: "Para nós, o livro tem de ser considerado um bem essencial e as livrarias têm de abrir. Ninguém tem a coragem para fazer isto, pelos vistos. Tem a coragem para fazer outras coisas que também são clivagens, mas a única coisa que tem sentido é: O livro é um bem essencial, logo, tem de estar à venda nas livrarias.”

José Pinho acrescentou ainda: “Quem tem que decidir que decida o mais rapidamente possível e que se acabe com esta conversa e esta discussão sem sentido, que nos põe uns contra os outros, põe os leitores contra os livreiros; é o absurdo dos absurdos. Alguém pensa que os livreiros não querem abrir porque querem receber subsídios? Como se houvesse subsídios para as livrarias. Isso não existe. Não há apoios a livrarias. Há apoios ao comércio e, do lado do Ministério da Cultura, o que houve foi compra de livros a algumas micro e pequenas livrarias, com valores que não têm expressão".

A APEL recorda à Lusa, pela voz de Pedro Sobral, que o setor livreiro e editorial está "a passar por um momento catastrófico", com o encerramento das livrarias, recordando que em 2020 registou uma perda de 26 milhões de euros. "Este ano, com cinco semanas do ano - três de confinamento - já vamos com uma perda de seis milhões de euros". Ora, o mais grave é que a previsão aponta para um fevereiro e um mês de março a seguirem as pisadas de janeiro o que será arrasador para o setor. Pior, trata-se de obrigar um negócio a fazer sacrifícios que não fazem qualquer sentido, face aos negócios que neste momento se encontram abertos em pleno funcionamento.

Eu sei, amiga Berta, que temos neste Governo aquela que é provavelmente a pior Ministra da Cultura que já alguma vez liderou este setor. Tem a força de uma nabiça se comparada aos espinafres de outros ministérios, mas alguém tem de acabar com esta estupidez de ter as livrarias fechadas em tempos em que o Estado de Emergência manda a população estar em casa, afinal, esta é a altura ideal para se poder ler. Não se entende a posição do Governo, nem faz qualquer sentido e chega a ser desonesto face à totalidade das outras exceções, muitas delas bem mais duvidosas e perigosas do que os espaços de venda de livros.

Se não fosse a Ministra Nabiça ser tão fraquinha, e entender tanto de cultura como um boi entende de palácios, sou capaz de apostar que as livrarias nunca tinham fechado em nenhum dos confinamentos. É revoltado que me despeço hoje, minha querida Berta, aqui vai um beijo do amigo,

Gil Saraiva

 

 

 

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