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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: O Maior Roubo do Milénio - A Noite No Museu

Museu Roubado na Alemanha.jpg

Olá Berta,

Sabes que celebramos hoje o nosso primeiro mês de troca de correspondência? Adorei saber, pela tua última resposta, que retomaste o gosto por ir abrir ver o correio. Tu, como quase toda a gente, passou a olhar para essa pequena caixa com algum amargo de boca.

É um facto que ninguém gosta de lá ir apenas para encontrar missivas de banco, penhoras das finanças, contas da luz, da água, do gás ou da televisão, internet e telemóvel. O recetáculo ganhou, nos últimos anos, uma conotação negativa, chegando ao ponto de criar fobias a muitos utilizadores, pelos receios do que, a cada abertura, pudessem vir a encontrar. É bom ver que, pelo menos no teu caso, a tendência se inverteu.

A minha carta de hoje prende-se com o regresso à cena mundial dos ladrões míticos e de bom coração. Se antes os liamos torcendo pelo seu sucesso, como se de heróis se tratassem, agora, na atualidade, eles tornam-se reais e capazes de feitos que superam os seus antecessores literários. As imagens de Robin Hood, de Arséne Lupin, ou de Simon Templar, digo, O Santo, eram, e permanecem, mais românticas do que os seus reais sucessores.

Os grandes ladrões da atualidade não se revelam à imprensa, não se identificam de forma alguma, nem sequer possuem aquele charme justiceiro ou aventureiro.

Aliás, o cinema apresentou-nos novos bons ladrões em Ocean’s 11, Ocean’s 12 e Ocean’s 13, com George Clooney e Brad Pitt nos principais papeis. Porém, este tipo de fora-da-lei nunca teve grande transição para o nosso mundo real.

Uma outra situação, bem diferente é, contudo, a transição dos roubos espetaculares da ficção para o quotidiano.

Aqui a coisa tem prosperado. Foram os roubos de joias da Coroa na Suécia em 2018, o roubo recente de uma carrinha de valores na Avenida da Liberdade, em Lisboa, já este mês, contendo peças de ourivesaria de mais de 124 mil euros e finalmente o assalto praticado ontem, por um duo, na Alemanha, cujo o saque em pedras preciosas e diamantes, incluídas em antigas peças reais, rendeu mais de mil milhões de euros de proveitos aos meliantes.

Neste último caso, e para espanto generalizado, o tesouro roubado da Abóbada Verde, no Palácio Real em Dresden, na Alemanha, não tinha qualquer seguro e, mais grave, os alarmes podiam ser desligados atacando uma caixa de eletricidade situada na via pública, junto ao monumento.

Depois de casa roubada não existem trancas que se possam pôr nas portas para evitar o ocorrido. As autoridades estão com esperança de encontrar pistas nos vídeos gravados pelas câmaras de segurança durante o assalto. Todavia, acho que de pouco valerão as imagens de 2 pessoas, vestidas de preto, da cabeça aos pés, de lanternas em punho, a limpar metodicamente algumas das vitrinas.

Foi ainda encontrado um carro, totalmente carbonizado, que pode ter servido de veículo de fuga. Esta descoberta já me parece uma pista mais sólida, principalmente porque há registos que o fogo não apaga, como os das gravações nalgumas peças dos respetivos números de série. Porém, se se tratar de um carro roubado, não sei o que as autoridades poderão fazer daí em diante. Admito que, até ao momento, esta me parece a melhor via de investigação a seguir. O resultado é que poderá muito bem vir a ser bastante abaixo das expetativas.

Uma coisa é evidente, este crime foi metodicamente pensado, devidamente planeado, e tem detalhes que evidenciam um conhecimento aprofundado do que havia a fazer para o levar a bom porto. Isso pode implicar o auxílio de gente que trabalha para o museu ou que colabora regularmente com a instituição. Contudo, isso já sou eu a supor e não se tratam de factos.

Como vês, minha querida Berta, o roubo é perfeito, o valor do mesmo é avassalador, mas duvido que os ladrões se preparem para distribuir o produto do saque com os pobres e oprimidos, na senda dos ladrões de charme do antigamente. Afinal, este assalto faz parte da vida real, e constitui, pelo menos até ao momento, o maior roubo do III Milénio, à noite no museu.

Fica com um beijo deste teu amigo, pleno de saudades,

Gil Saraiva

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